sábado, 17 de agosto de 2013

Carta em Defesa dos Corredores Pipoca!

Imagens:Google
"Se você é do tipo de pessoa que se ofende fácil ou não sabe argumentar, melhor visitar OUTRO SITE"...

Por Daniel X.

*Este texto não defende/incentiva o ato de usufruir de um evento sem estar inscrito.
Para saber mais minha opinião sobre "Correr de Pipoca", leia as matérias:

"Pipocas" são pessoas pobres?...
Recentemente recebi o seguinte convite de uma amiga corredora:
"Ei Daniel, tudo bem? Aqui, q tal montarmos um grupo para irmos de pipoca na volta internacional da Pampulha? Tô achando um absurdo o valor cobrado R$80,00 desde o começo. Nem teve gradação de valor este ano."
Minha resposta foi a mais sincera possível: se estão achando um absurdo, não corram. Ninguém é obrigado a ir, muito menos vai morrer se ficar sem.

Coincidentemente, na mesma semana li um comentário interessante em uma rede social:
"Os pipocas ou bandits invadiram a Meia de Sampa. Detalhe: a maioria com tênis e roupas de marca, iPhone etc. Ou seja: eram 171 mesmo..." 

Achei interessante e muito válida a observação, pois, muitas vezes esta "classe" de corredores é associada às pessoas mais humildes, que não teriam condições de ficar pagando altos valores para participar das provas. Mas segundo a observação feita acima, as elite também gostam de dar um jeitinho.

Bandidos?...

Já vi alguns formadores de opinião rotularem quem corre na via pública sem estar inscrito, como bandidos, justificando que "lá fora, eles também têm nome: bandits, bandidos mesmo".

Não seria um termo muito pesado? "Ah, mas a intenção é essa mesmo", "Ah, mas é para intimidá-los mesmo!", "ah, mas nos EUA eles são chamados assim"...

Lá nos EUA?! Você está vivendo no Brasil, Camarada!



Lá nos EUA também tem pena de morte. Os EUA contam com a maior população prisional do mundo.
22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.  Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.  Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde. Nos EUA o preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.

Vai viver nos EUA, então!

E lhe pergunto: as corridas nos "EUA" são tão desorganizadas quanto algumas que temos por aqui? Nunca participei de nenhum evento fora do Brasil, mas pelo que ouço de muitos atletas, correr nos EUA é o sonho de consumo de muito corredor brasileiro. Será que é porque são desorganizadas? Acho que não...

A definição de "bandido" no Aurélio é: s.m. Indivíduo que vive de assaltos a mão armada; salteador, malfeitor.
Ao chamar alguém de bandido você pode estar fazendo uma acusação. Então, cuidado para o feitiço não virar contra o feiticeiro.

Além do mais, não seria mais fácil (ou melhor) montar uma estrutura que permite um melhor controle de hidratação e medalhas, ao invés de criar mais um estereótipo, em um país onde o preconceito ainda impera?
Posso dizer que, a maioria dos eventos que já participei, permitia que qualquer pessoa que estivesse passando pelo local viesse a  usufruir de hidratação e outros itens que faziam parte da infraestrutura do evento.

Direito de Imagem
Outra questão que tenho notado é o fato de ficar tirando fotos de supostos "pipocas" nas corridas, e ficar expondo em redes sociais. Não podemos esquecer do direito à imagem. Você pode estar cometendo um crime, às vezes maior do que a própria pessoa que, estaria fazendo uma coisa que é errada na SUA opinião (o fato de transitar em via pública em dia de evento). Além do fato de que, um crime não justifica outro.

E como foi muito bem dito por um importante blogueiro do mundo das corridas: "No geral a falta de número de peito não indica que seja pipoca (muitos não usam para não serem identificados por sites de fotos)".
Aí alguém posta a foto do cara em rede social, denigre a imagem do mesmo, depois responde por danos morais. Simples, né!

Pacer é "pipoca"?
Agora mais essa.  Já notei indícios de que aquela pessoa não inscrita em uma corrida, mas que acompanha o tempo todo outro atleta, monitorando o ritmo, incentivando, fornecendo água/ repositores, durante o percurso, agora está passando a ser taxado como "pipoca".

Na Maratona do Rio 2013, minha amiga, Valeria Spakauskas,  fez o seguinte relato, se referindo ao seu treinador:
"Chegando aos 26 tenho a visão mais bacana da prova toda, meu treinador,Gustavo, um cara prá lá de especial, estava ali, esperando a gente chegar! Estava em casa! E fomos juntos, os três, às vezes cinco ou dez, pois o Gustavo puxava todo mundo!!!"
Inclusive, quando o treinador Gustavo passou por mim, perguntou se eu estava me sentindo bem, me ofereceu água, e até se disponibilizou a me emprestar dinheiro, uma vez que eu estava mancando e longe da linha de chegada.
Então, agora vamos taxar esse grande incentivador como "pipoca"?...

Circuito Lótus 2011: minha esposa, Roseli (que não gostava de correr), só participou porque me disponibilizei a acompanhá-la durante o percurso, sem usufruir de nada da prova.  Hoje ela já corre meia maratona.  Então, o que sou por incentivá-la?  Um "bandido"?  Que crime cometi naquele dia?  Prenda-me se for capaz...

 "O direito individual não se sobrepõe ao coletivo"
Ninguém pode retirar seu direito de ir e vir. E não tem essa de "o direito individual de ir e vir não se sobrepõe ao direito do coletivo", pois, a constituição federal já representa a maior coletividade de um país. Se fosse assim não haveria o direito de greve, por exemplo.
Essa de Direito Coletivo Vs. Direito Individual para impedir o direito de transitar no espaço da prova é pura balela etilista.
Dica de filme? "Os Donos da Rua" e "Os Reis da Rua"...

Pipoca queimada

Por outro lado, muita gente que corre sem estar inscrito, usa hidratação, sai na frente, e usufrui da infraestrutura do evento, e mesmo que você só esteja passando por ali, fazendo seu treino, consequentemente você vai ser associado a essas pessoas. A atitude de alguns acaba queimando o filme de todos...

Por isso, hoje em dia, acredito que se você for treinar, o melhor mesmo é passar longe de eventos. Não que você não tenha direito de usar a rua.  Mas é melhor manter distância das "vias privatizadas"...


Como foi muito bem dito pelo corredor/fotógrafo Marcos Viana Pinguim:
" Creio que as pessoas que gostam de correr nos fins de semana (mas que não querem competir) podem e devem se reunir para fazer treinos nas ruas bem distantes de onde estão ocorrendo corridas, este é um conselho para as pessoas que não querem gastar dinheiro em corridas e para que elas não paguem mico de "Pipocas" nas corridas. É minha sugestão!!!"

O Problema não é só o "pipoca", mas a desorganização!...
Na maratona do Rio 2013, a falta de respeito de algumas pessoas, como passar de bicicleta rente aos atletas, foi colocada em meu vídeo. Mas na câmera, tenho o equivalente a um longa metragem, só de falta de educação.
Faltou controle dos realizadores da prova  no requisito segurança, pois a organização tem parcerias, apoio governamentais, etc., e é responsável pelo percurso.
Quando participei da Meia de SP 2012,  pensei que ia ser uma bagunça devido ao trânsito da cidade e de ser bem no centro. Mas não foi. Organizadores devem ter parcerias também com guardas municipais, PM, etc. Digo isso porque já participei de muita corrida que contou tais parcerias. E organização da Maratona do Rio não é fraca.

Sei que a orla é fechada para o lazer, mas sempre ouvimos por aí: "a organização paga alvará mais isso e aquilo para realização do evento", "se fosse em um show você não entrava"... frases usadas para reprimir os "pipocas", mas que são incoerentes, pois, quando é para ser usada por papas, políticos, casamentos de netas, e shows de pop stars da música brega, ninguém nem ao menos ousa questionar. Sei que que são situações (e poderes diferentes), e que, se falarmos muito, ainda ficamos sem.

Mas parece que a preocupação de alguns organizadores com relação aos "pipocas", é simplesmente referente aos gastos que eles podem vir a trazer à organização, e não com o conforto/segurança dos clientes.

Quando argumentamos sobre o direito de ir e vir referente a um "pipoca" que transita (mas não usufrui) no local do evento, ele é contestado. Mas quando é para assegurar a integridade física dos atletas, aí os defensores invertem o quadro: são os ciclistas e afins que tem o direito de ir e vir.

Muita incoerência, e muita conveniência também.

A melhor matéria que já ouvi sobre o tema: o atleta/empresário/escritor Weimar Peittengill expressa sua opinião a repeito de “Correr na Pipoca”, citando também uma questão interessante a respeito dos ciclistas. Ouça AQUI!
Outras matérias a respeito:

domingo, 11 de agosto de 2013

Carta ao Pai


Por Daniel X.

Apesar da aparente influência "kafkiana" no título desta postagem, meu relato não tem nada a ver com o texto do meu escritor judeu favorito. Embora, por muitos anos tenha alimentado o mesmo tipo de sentimento que inspirou a obra homônima ao título dessa matéria.

A princípio, este texto pode parecer mais um "Daniel X. Begins", mas não há como falar de meu pai, sem contar um pouco de minha história.

Minha mãe, Maria Helena silva, aos 29 anos engravidou de seu namorado, que por sua vez teve a honrada atitude de não assumir a paternidade.
Vivendo em meio à uma família da qual prevalecia a cultura machista, Maria Helena foi expulsa de casa, para não desonrar o "clã" com uma mãe solteira.
Numa época onde ainda não existia Lei Maria da Penha, e não podendo contar nem ao menos com uma pensão alimentícia, sua única saída foi vir a trabalhar em casas de família como empregada doméstica, e morando de favor nessas casas.

Então, não sei bem quando, ela conheceu Arlindo, um servente de pedreiro, e passou a morar com o mesmo. 
Arlindo disse que gostava de Maria Helena, e que não se importava pelo fato de ela estar grávida, que assumiria a paternidade e registraria o filho em seu nome.
 
Mas isso não trouxe uma "redenção" à minha mãe por parte de sua família. Além de continuar carregando o estigma de "mãe solteira", passou a ser segregada ainda mais na família, por ter se casado com um homem negro. Boa parte da família de minha mãe nunca gostou de pessoas de etnia negra.

Sendo trabalhador do serviço braçal, meu pai sempre teve muita dificuldade em cuidar da família, mas nunca poupou esforços em fazê-lo. Inclusive, uma das coisas que mais me lembro, é do fato de que, mesmo cansado, ia me buscar de bicicleta na escola, após seu horário de serviço.

Muitas pessoas perderam o pai biológico muito cedo. Alguns, como eu, nem tiveram a oportunidade de conhecê-lo.
Outras, após ficarem sabendo que foram adotadas, abandonam aqueles que os criaram e saem numa saga em busca de seus genitores. No meu caso, nunca tive interesse de saber nada a respeito de meu genitor, pois, o papel de Pai já havia sido preenchido desde o começo.

Sempre que possível, meu pai nos levava para viajar em excursões, em parques de diversões, e ao cinema. Foi a partir dele é que adquiri meu amor à sétima arte e também à música...
...
Dica de filme para o dia dos pais:
Peixe Grande


Ed Bloom (Albert Finney) é um grande contador de histórias. Quando jovem Ed saiu de sua pequena cidade-natal, no Alabama, para realizar uma volta ao mundo. A diversão predileta de Ed, já velho, é contar sobre as aventuras que viveu neste período, mesclando realidade com fantasia. As histórias fascinam todos que as ouvem, com exceção de Will (Billy Crudup), filho de Ed. Até que Sandra (Jessica Lange), mãe de Will, tenta aproximar pai e filho, o que faz com que Ed enfim tenha que separar a ficção da realidade de suas histórias.

Magnólia

A história se desenvolve nos arredores da rua Magnólia, acompanhando um dia na vida de nove personagens, que moram na mesma área e cujas histórias se cruzam por coincidências do destino. Entre eles, Frank T.J. Mackey (Tom Cruise), que cresceu odiando Earl, seu pai, e agora dá um seminário para solteiros, onde ensina técnicas para seduzir uma mulher. O motivo da raiva de Frank é que Earl abandonou sua primeira esposa, e mãe de Frank, após vinte e três anos de casados, quando esta estava com câncer, e deixou Frank com apenas quatorze anos para cuidar da mãe até a morte dela. Desta época em diante os dois nunca mais se falaram. Earl tem um enfermeiro particular, Phil Parma, que tenta localizar Frank de qualquer jeito para avisar que seu pai está morrendo.
...

O primeiro esporte que pratiquei, Taekwondo, também foi incentivado por meu pai. Nessa época, era muito franzino e tinha constantes crises de asma. Esse esporte me ajudou a controlar a doença e também melhorar minha autoestima, pois, além de quase chegar à faixa preta, fui vice-campeão mineiro na minha categoria.

Outra grande herança cultural que meu pai me deixou foi sua antipatia ao futebola...

Infelizmente, meu pai também tinha outro passatempo, que, com o tempo se tornou excessivo: o consumo de bebidas alcoólicas.

O ato de consumir uma grande quantidade de álcool em um curto período de tempo, passou a ser cada vez mais constante. Nos meados dos anos 90, o alcoolismo foi tornando meu pai uma pessoa agressiva, passando a ser até mesmo um risco a nossa integridade física.
Decidimos sair de casa e voltar a viver na casa de minha avó. Ou seja, o mesmo lugar onde minha mãe havia sido expulsa quando engravidou...

Depois disso, existe um hiato, onde passei a não ter mais notícias de meu pai, e confesso que por muito tempo guardei rancor do mesmo.

Nessa época, meu tio, Raimundo, especialista em execução de serviços de terraplenagem, me disse o seguinte: "você quer ir trabalhar comigo? Você fica aqui nessa cidade, não arruma serviço, não estuda. Precisa dar um jeito nessa vida"...
Passei a trabalhar como auxiliar de laboratório em análise de solos para terraplenagem  e pavimentação, vindo a morar em algumas cidades, entre elas, Piçarras-SC, onde vim a participar da duplicação da BR 101.

Nessa época conheci muitos homens, que, mesmo com 50, 60 e 70 anos, trabalhavam no serviço braçal, para conseguir sustentar sua família. 
Passei a observar e conversar muito com essas pessoas, sobre seus ideais, e sobre a cultura do povo do Sul, e resolvi voltar para Divinópolis ajudar meus pais.

Mesmo morando cada época em uma cidade, retomei meus estudos, dos quais tinha abandonado.

Se passaram 10 anos. Então, chegou ao meu conhecimento que meu pai passara a viver em estado de mendicância. 
Foram muitas as visitas que fiz a ele, levando alimentos, dinheiro, mas tudo em vão, pois a presença de seus "amigos de gole" sempre interferia na minha ajuda. Inclusive, vinha a ser ameaçado pelos mesmos quando ia visitá-lo.

Chegou ao ponto de estar vivendo em uma casa abandonada, em condições precárias, e comendo restos de alimentos. Nessa época, todos os seus "amigos de gole" desapareceram.

Divinópolis - 2004

Em 2004, com ajuda do amigo, Anderson Saleme, consegui encaminhar meu pai à instituição católica, Comunidade Sacramento de Amor, em Divinópolis, que conta com uma casa de acolhimento onde recebe pessoas que querem se recuperar de vícios, dependência química ou em situação de abandono, com o objetivo de resgatar sua dignidade. 

No começo, minha mãe tinha receito até mesmo em visitá-lo, devido aos traumas gerados pela violência que veio a sofrer .
Um dia, por sugestão de Fabrício de Jesus, missionário da Comunidade, levei meu pai para passar o fim de semana na nossa casa. Deu tudo certo.
Depois que ele havia voltado ao Casa de Apoio, minha mãe disse: "estou com saudades do seu pai"...
A partir dessa hora tive a certeza que ainda era possível reestruturar aquela família que havia sido destruída pelo alcoolismo.

Visita a meu pai no Sítio São Padre Pio, da Comunidade Sacramento de Amor - 2007

Semanas depois, solicitei a liberação de meu pai, e o mesmo passou a viver com minha mãe, na cidade de Divinópolis, onde eu os visitava regularmente. 
A partir daí, ele passou a ter uma dieta saudável, praticava exercícios regularmente no grupo Unibiótica (saiba onde praticar) com minha mãe. Passou a fazer as coisas que mais gostava, que eram viajar e assistir os filmes do seu ídolo, Jean Claude Van Damme.

Espírito Santo, nossa primeira viagem com nova família - 2008

Yahoo Family Park

Mateus Leme - 2010

Balneário Camboriú/SC - 2010

Beto Carrero World

Divinópolis - 2011

Devido à demência alcoólica e doença de Alzheimer, meu pai não conseguia se lembrar desses momentos após um dia. Mas sempre lhe mostrávamos as fotos. Mas mesmo que não viesse a se lembrar depois, a felicidade daqueles momentos havia ficado estampada em seu sorriso.

Divinópolis - 2010

Quando era possível, meu pai também ia me ver nas corridas

Rio de janeiro 2012 - Nossa Última Viagem.
 

Infelizmente,  a saúde de meu pai foi se deteriorando rápido. Se tornou diabético, provavelmente devido aos efeitos do álcool no pâncreas. E por mais cuidado que fosse prestado a ele, a cada dia se tornava mais debilitado.

Por muito tempo me questionei (e até cobrei de mim mesmo) por quê não fiz tudo isso antes. Por quê não consegui mudar nossa situação antes?

Mas com o passar do tempo também tomei a consciência que, o Daniel de hoje, não tem o direito de cobrar isso do Daniel de 20 anos atrás. Pois aquele era um garoto cheio de inseguranças, que nem ao menos tinha condições de saber o que fazer. Ele também precisava de ajuda. E esse apoio foi prestado através de amigos e alguns parentes.

Em março deste ano, recebi uma ligação me informando que meu pai havia sofrido um AVE, e estava em estado grave na cidade de Divinópolis.
O acompanhei durante esses dias, até que seu quadro se agravou e ele foi transferido ao CTI do Hospital São Carlos, em Lagoa da Prata/MG.
Nesse período, alguém me perguntou se eu havia o perdoado "por tudo que fez" a mim e à minha mãe. Respondi que não havia nada a perdoar, apenas a agradecer. Fiz isso em um momento muito íntimo, quando ele já estava no quadro de coma. Agradeci por ter sido para mim, aquilo que outra pessoa não pôde ser. Infelizmente não fiz isso quando ele ainda tinha consciência para entender minha gratidão.

No dia 18 de abril de 2013, recebi uma ligação, informando a notícia de seu falecimento.

Muitas vezes, algumas pessoas se referiam a meu pai como "padrasto". Mas nunca o enxerguei assim. Embora Arlindo não fosse meu genitor, para mim foi um verdadeiro pai, e à sua maneira, me amou como seu verdadeiro filho.

Essa matéria é dedicada a todos os pais, e a todos os filhos que cuidam bem dos seus.
Arlindo Xavier da Silva
  25 de julho de 1944
   †  18 de abril de 2013

Poema "Pai adotivo", por Nilcéa Almeida.

sábado, 10 de agosto de 2013

Formadores de Opinião nas Corridas de Rua e suas Maritacas...

Eco e Narciso. Óleo sobre tela de John William Waterhouse (1849/1917) com maritacas...

Por Daniel X.

Os Gurus...
Nossas decisões deveriam ser tomadas em sua maior parte, a partir de nossas próprias conclusões, fundadas no nossos instinto/experiência/razão.
Mas o Homo "Sapiens" é altamente influenciável e, muitas vezes vejo pessoas tomando suas decisões a partir de opiniões dos gurus da mídia.
Seja um blogueiro, celebridade, ou afins,  as pessoas concordam sem discutir. Mas como esses "gurus" são eleitos pelo público?

Muitos "Gurus" blogueiros, por exemplo, se auto intitulam como os porta-vozes dos corredores. Mas acho que é mais uma jogada de marketing e que, nem eles mesmos acreditam que são realmente "Le Centre du Monde", como afirmam ser.
Alguns falam freneticamente de si mesmos, se gabam e supervalorizam, beirando a pavulagem. A esses, recomendo cuidado para não pular do narcisismo à megalomania, e ser "enquadrado" no CID-10, rs...
Mas a questão é que, no mundo das corridas esses "gurus" tem grande influência quando se trata de participação em eventos, e na compra de produtos relacionados com corrida, como suplementos, tênis, acessórios, etc.

Se determinado "guru" disse que o "evento tal", é imperdível, muitos de seus seguidores com certeza se inscreverão naquele evento.
Mas será que aquele evento é imperdível mesmo? Ou é só o interesse de corporações imposto aos atletas através de seus gurus influentes?

Influenciadores ou formadores de opinião, quem domina na internet?

Muitas vezes, um formador de opinião/influenciador sugere determinado produto, do qual ele mesmo não usa.
No mundo das corridas é a mesma coisa: "não dá pra ficar fora dessa", "a corrida mais sei lá o quê do país", "experimentei isso e gostei", "experimentei aquilo e aprovei".
Será que a Xuxa usa realmente hidratante Monange?  Uma grande questão filosófica a ser refletida...

As Maritacas...
Na redes sociais, os "gurus" são altamente influenciadores, tendo uma legião de seguidores, que muitas vezes, se espelham naquilo que o mesmo diz.

Já entrei em muitos debates a respeito de corrida de rua, em que, um "guru" se posicionava de determinada forma, com seu ponto de vista, e logo depois, uma sequência maritacas apenas tentando repetir aquilo que foi dito pelo influenciador. Mas com comentários sem argumentos consistentes, apenas reiterando o que foi dito pelo seu  guru. Um verdadeiro "Ctrl C,  Ctrl V", deixando o debate completamente sacal.


Parece que as maritacas estão mais preocupadas em não ir contra a opinião do seu "guru" (principalmente os que representam marcas - direta ou indiretamente), e que, o que esses "gurus" pensam já é veredito sobre o que devemos ser, o que devemos usar, e como devemos nos comportar...

Maritacas,  parem de tentar repetir aquilo que o guru disse, e passem a ter mais senso crítico. Tirem suas próprias conclusões. É bom estar aberto a informação que vem de fora, mas também é bom ter uma opinião formada de vez em quando.
Será que determinado suplemento é mesmo bom para você? Será aquele evento é realmente aquela maravilha que foi divulgada? Que o tênis caro realmente é necessário? Afinal, o que realmente vale a pena colocar no carrinho?

Os Blogs...
Uma das principais ferramentas para formadores de opinião hoje em dia, são os blogs. O poder do alcance e velocidade dos blogs alavancado pelas redes sociais acaba sendo uma potente forma de divulgação a baixo custo.

Uma pesquisa realizada pela Technorati Media (AQUI) mostra que, para os consumidores, os blogs são um dos principais serviços online que influenciam uma compra, e ocupam a terceira colocação nas decisões de compras gerais.
A mesma pesquisa mostra que os blogs também são uma das ferramentas mais escolhidas para divulgação pelas marcas, estando acima do Instagram e Google+.
Devido a esse alcance dos blogs, muitas marcas firmam parcerias com blogueiros para divulgarem seus eventos/produtos. 
Grupo TV1 - Novos formadores de opinião na web - Guia do Futuro

Opinião Formada...
Defensores do consumo, que se beneficiam das corridas (não tenho nada contra), e que são supostos "formadores de opinião", usam sua influência para promover nomes de eventos/produtos.

Mas existem casos onde também passam a instigar a intolerância entre corredores, que por sua vez, vão na onda como ovelhinhas, mesmo sabendo que estão apenas beneficiando os interesses pessoais de terceiros, e não por opinião formada mesmo.

Já vi debates sobre corridas em que, um "guru" gerou atritos entre corredores, através de suas maritacas, devido à divergências de opinião.

Me parece que muitos formadores de opinião ainda não aprenderam a usar essas ferramentas de marketing de forma ética (talvez devido a influência da cultura do "jeitinho brasileiro).

E se o guru falar que correr de "pipoca" é lindo, amanhã muita ovelha sai correndo assim. Se falar que correr de "pipoca" é feio, as ovelhas vão queimar na fogueira aquele que por ventura estiver sem número de peito em uma corrida.

Tenho opinião formada e, independente se Jhon Lennon dizer que que isso ou aquilo é feio/bonito, bom/ruim (ou não dá lucro a ele), tiro minhas próprias conclusões. Para mim, não existe nem nome, nem sobrenome de luxo...

Dica de filmeeeeeeeeeeeeeee!
Branded


Depois de Misha disparar ao topo dos negócios de publicidade, um acontecimento trágico em um set de uma de suas produções acaba com a sua carreira, e ele se esconde em um exílio auto-imposto. Dez anos depois, Misha retorna a um mundo radicalmente alterado e se encontra perseguido por visões de criaturas bizarras e aterrorizantes, que tem a habilidade de influenciar os pensamentos das pessoas, assim como seus desejos e ações. E somente ele consegue ver estas criaturas.

Ele logo percebe que as criaturas fazem parte de uma campanha clandestina, liberada por uma agência de concorrente, que quer transformar a obesidade no novo ‘fabuloso’, e criar uma nova era de apetite consumidor descontrolado. Misha usa suas próprias habilidades em publicidade para desenvolver um plano para erradicar esta praga. Mas as legiões corporativas não vão desistir sem lutar.




Então, tire suas próprias conclusões. Não tome suas decisões apenas baseadas no que foi dito por formadores de opinião. E quando ouvir a frase "compre batom", pense bem se é isso mesmo que você quer...
Imagem/vídeos:Google / YouTUBE

"Não acrediteis numa coisa apenas por ouvir dizer. Não acrediteis na fé das tradições só porque foram transmitidas por longas gerações.  Não acrediteis numa coisa apenas porque é dita e repetida por muita gente. Não acrediteis numa coisa apenas pelo testemunho de um sábio antigo. Não acrediteis numa coisa apenas porque as probabilidades a favorecem ou porque um longo hábito vos leva a tê-la por verdadeira. 
Não acrediteis no que imaginastes, pensando que um ser superior o revelou. Não acrediteis em coisa alguma apenas pela autoridade dos mais velhos ou dos vossos instrutores. Mas aquilo que por vós mesmos experimentastes, provastes e reconhecestes verdadeiro, aquilo que corresponde ao vosso bem e ao bem dos outros - isso deveis aceitar, e por isso moldar vossa conduta."
Siddhartha Gautama

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A Todos os Corredores: 7 de Agosto, Hoje é Dia do...


Por Daniel X.

Achou que era sobre o dia do maratonista, né!...
Na verdade, hoje é dia do aniversário de Bruce Dickinson, um dos meus artistas favoritos. Comecei a acompanhar a carreira do cantor na época que ainda era vocalista da banda Iron Maiden, nos anos 90.
Seu primeiro trabalho solo que me chamou atenção foi o disco (sim, vinil) "Balls to Picasso" de 1994.

Além da carreira de músico, profissão na qual é doutor (sim, doutorado em música), Bruce Dickinson também é atleta, vindo a ser chamado para ser o capitão da equipe inglesa de esgrima nas olimpíadas de 1988.
Suas outras profissões são historiador, locutor de rádio, autor, roteirista, diretor de marketing, e  piloto de aviação civil na empresa Astraeus Airline, na qual veio a pilotar voos marcantes: levou a equipe do Liverpool para a disputa de um jogo da Liga dos Campeões em Nápoles, em outubro de 2008, e um dos primeiros voos a sair de Nova York após o furacão Irene. Em 2006, ele levou de volta ao Reino Unido cidadãos britânicos que estavam no Líbano, durante o conflito entre Israel e o Hezbollah.

Entre 2008 e 2011, Dickinson pilotou o avião, "Ed Force One", em uma turnê mundial do Iron Maiden. A turnê foi documentada no filme "Iron Maiden: Flight 666", indicado pelo amigo/corredor/roqueiro/cinéfilo (que curriculum, hein!) Alan Nardi.

Embora não tenha um disco que tenha preferência, estatisticamente falando os discos "The Chemical Wedding" e "Accident of Birth", são os que mais ouvi de sua discografia. O primeiro inspirado pelos textos do ótimo, William Blake.

Então, feliz aniversário, Bruce Dickinson!!!

Depois que saiu do Iron Maiden, a qualidade de seus trabalhos aumentou consideravelmente.
E coincidentemente, depois que voltou para à Donzela de Aço, lançou o Cd "Tyranny of Souls", do qual considero o menos expressivo.

Deixo aos Srs, um Playlist, com algumas de minhas músicas preferidas de Bruce Dickinson, para ouvir correndo!
(clique no nome para ouvir):

E como já disse a alguns amigos, prefiro mais a carreira solo do Bruce, a sua carreira no Iron Maiden...

Dica de filmeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! 


Anthology: DVD triplo, que conta com um show gravado em 1990, no Town & Country Club, Los Angeles, EUA, na primeira turnê solo de Bruce Dickinson; um show gravado ao vivo na Espanha, em Pamplona nos dias 31 de Março e 1 de Junho e 1996, na turnê de lançamento do álbum “Skunkworks”; um show gravado de forma “parcialmente” amadora, em São Paulo, no Via Funchal no ano de 1998, na turnê de promoção do álbum “The Chemical Wedding”; todos os vídeo clipes gravados pelo cantor em sua carreira solo desde seu primeiro álbum até o mais recente “Tyranny Of Souls”, e material extra.

sábado, 3 de agosto de 2013

RESPOSTA: Corrida Bem Sucedida Não é Sinônimo de Corrida Boa...


Por Daniel X.

Na matéria "Organizar Corridas é Fácil, Vocẽ é Que Não Está Sabendo Fazer Direito...", onde elogio os realizadores de um evento, e faço o um comentário a respeito da escolha da pessoa que foi cogitada para organizar a próxima edição, foi gerada uma pequena polêmica devido à reação de um leitor.

Meu comentário foi o seguinte:
"(...)Schubert Abreu, dono de um circuito bem sucedido de duathlon, o Circuito Trilogia (AQUI). Gostei da escolha da organização, pois já treinei com Schubert e, conheço seu compromisso com este negócio, que é a Corrida de Rua(...)"

Quanto a questão de considerar o circuito bem sucedido: segundo dados divulgados pela própria organização, o circuito triplicou o número de inscritos da primeira para terceira e edição na modalidade Aquahtlon, e duplicou na modalidade Duathlon.
Se comparado com eventos que levam nomes de grandes marcas e que contam com milhares de participantes, os números podem não parecer tão expressivos. Mas o aumento do número de inscritos mostra que o evento se encontra em plena ascensão.

Vale lembrar que, a São Silvestre, uma das corridas mais tradicionais no mundo, em sua primeira edição contou com apenas 60 inscritos, dos quais apenas 48 compareceram para disputar. Em 2012 o evento contou com aproximadamente VINTE E CINCO MIL PARTICIPANTES.

Reitero também que, número não é sinônimo de qualidade. Em alguns circuitos de corrida, que já são considerados tradicionais no país, e que contam com milhares de participantes, os números parecem dizer o contrário: má organização, excesso de reclamações por parte dos clientes, etc. Um dos problemas comuns nesses eventos é gerado pelos próprios números: superlotação...

Ou seja, corrida bem sucedida não é necessariamente sinônimo de corrida boa.

Foi postado o seguinte comentário anônimo como resposta a meu ponto de vista:
 "Daniel vc esta desatualizado demais. Esse Schubert cobra caro demais, briga com todo atleta que levanta dialogo com ele e nem usa chip de cronometragem nos eventos. No ultimo o resultado veio todo errado e nos anteriores nem resultado teve. "

Quanto ao organizador citado, o conheci no grupo de corridas da academia onde eu treinava. E lá ele fazia um bom trabalho. Realmente nunca participei de seus eventos, mas como já disse aqui no blog, BH tem vivido um eterno Déjà Vu no que diz respeito às falhas básicas em eventos, como: hidratação insuficiente, e até mesmo falta de atendimento médico. Não são todos eventos, é claro. Mas são falhas que, sob meu ponto de vista, não podem acontecer em hipótese alguma. E um novo circuito de corridas, administrado por um novo organizador, pode trazer uma nova luz ao cenário das corridas de rua na região. É como dizem, quanto mais corridas, melhor. Desde que tenham qualidade.

O comentário anônimo continua:
"Por outro lado o triatlo do alphavile esse ano foi perfeito, eu competi e dei nota 10. Ja que pelo jeito vc nao foi em nenhum dos dois, se informe direito antes de sair denegrindo, pois denegrir e o que vc sabe fazer melhor."

Em primeiro lugar, não citei nenhum evento na matéria além da Run 4 Parkinson, da qual estava fazendo elogio.
Se ao postar em um blog, como foi a minha participação em uma corrida, de forma imparcial, citando os pontos positivos e negativos segundo meu ponto de vista, e o fato de exigir nota fiscal pela prestação de serviços, é considerado "denegrir", por parte de organizador, significa que o mesmo ainda tem que amadurecer muito para administrar esse negócio que é corrida de rua (e qualquer outro negócio).

Quando me inscrevo em uma corrida, minha expectativa é que a mesma ocorra do melhor jeito possível. Se soubesse que ia sair de casa (e pagando) para passar sede, falta de segurança, falta de atendimento médico adequado, entre outras inconveniências, nem me inscreveria. Na interpretação do comentário anônimo, parece que saio me inscrevendo em eventos para falar mal dos mesmos, como se isso fosse um hobby.

Minha intenção é ter o melhor relacionamento possível com organizadores de corrida. E até onde sei, sempre foi assim. Quando alguém faz alguma crítica às minhas postagens aqui no blog, não são organizadores, e sim, corredores que querem levantar uma bandeira em prol de determinado organizador. Tanto que, nesse comentário citado pelo "anônimo", ele defende determinada organização, embora a mesma não tenha sido citada na matéria. Aparentemente com o intuito de "mostrar serviço/fidelidade" à empresa.

Quanto ao anonimato...

Vários blogueiros não admitem postagens anônimas em seus blogs, tanto que usam moderadores. No meu caso, como não tenho nenhum vínculo comercial/parceria, e não dependo de nada/ninguém para pagar minhas inscrições, não tenho nenhuma restrição quanto às postagens feitas no meu blog, mesmo que de forma anônima. Embora não seja adepto, sou defensor do anonimato (denúncia anônima, por exemplo).

Mas acho que esse tipo de comentário tira um pouco da credibilidade da postagem, afinal, para quem estou estou respondendo? Com quem estou falando?...

Direito de Resposta...
Qualquer organizador/corredor que quiser fazer sua postagem aqui no blog, como resposta a algum comentário feito por mim, as portas estão sempre abertas.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Transição Barefoot: Me Libertando do Tênis

Imagem:Google
Por Daniel X.

Lembro que quando era criança, perto da casa da minha avó havia um cara que só andava descalço. Me parecia meio hippie e seu apelido era Buzza.
Sempre achei intrigante o fato da escolha de andar descalço, mas como eu achava que era um cara desleixado, não estranhava muito.
Hoje, aproximadamente 30 anos depois, Buzza (não sei o nome dele até hoje), constituiu família, e é enfermeiro. Quando está de serviço, usa roupa branca, estetoscópio, e SAPATO branco. Ou seja, acabou se adaptando. Certo? Errado. Algumas semanas atrás, fui à casa de minha avó, e vi aquele cara que, no passado me causava estranheza, e hoje é motivo de admiração, pois, Buzza ainda anda descalço.
Mas porque contar essa história? ...

Em abril deste ano, enquanto tentava sair de um quadro de depressão (ainda vou contar isso no blog, afinal, isso aqui já virou um divã, mesmo), me inscrevi na caminhada do evento Run 4 Parkinson.
Não estava com ânimo para participar (ainda mais de uma caminhada), mas devido às fortes dores causadas por um quadro de fascite plantar (que posteriormente veio a ser constatada como uma fratura de stress no calcâneo), e de um diagnóstico de degeneração óssea, não estava conseguindo correr.

Minutos antes da largada, me lembrei de uma conversa com o Leonardo, que é adepto da modalidade Barefoot (pé descalços) e tem um ótimo BLOG a respeito do tema. Naquela conversa, ele havia me contado que sentia muitas dores na região dos calcanhares e canela quando corria de tênis. Uma das diferenças entre correr descalço e de tênis é que: descalço, o atleta pisa inicialmente com a parte da frente do pé; e de tênis, pisa primeiro o calcanhar, sobrecarregando essa área, que é justamente a parte afetada pela minha suposta "fascite plantar".
Sendo assim, resolvi de última hora, tirar o tênis e fazer os 5 km descalço, mesmo que no trotinho.

            Minha primeira participação descalço...e suas consequências.
 
Essa foi minha primeira experiência como barefoot. A partir daí, participei de outros eventos, também descalço. Apesar das muitas lesões iniciais, me senti tão bem com esse contato direto com o ambiente através dos pés, que decidi que, na medida do possível, não iria usar mais calçados.

Depois dessa corrida, saí com os pés arrebentados, devido à péssima qualidade do asfalto da cidade. Por indicação do Professor Adolfo, fiz uma HUARACHE para estas provas mais cascudas. Saiba como fazer a sua AQUI!

Na minha terceira corrida descalço, já segui o conselho do Prof. Adolfo. Levei a huarache na mochilinha, mas não foi preciso usá-la.
Na minha quarta participação descalço, com as solas dos pés mais resistentes, a maior dificuldade não foi o asfalto, mas o frio e a altimetria pesada.

É claro que deve-se tornar muito cuidado com o lugar onde se anda descalço, devido ao risco de objetos perfuro-cortantes. Na maioria dos lugares urbanos, o chão é completamente sujo e contaminado, nos expondo ao risco de contaminação por fungos, bactérias, parasitas e até mesmo vírus. Mas é nesse caso que entra um calçado minimalista, que simula uma pisada natural.

Aqui nem ousaria a correr descalço, e não sei se um dia vou conseguir correr 42 km assim. Mas foi nessa viagem que comprei meu primeiro minimalista: Adidas adiPure Trainer 1.1. Na verdade, só fiquei sabendo do nome correto do calçado, por informação do Prof. Adolfo. Até então, para mim era tudo five fingers...

Primeira corrida com o Adidas adiPure Trainer. Fiquei muito satisfeito, pois, me proporcionou uma performance melhor do que descalço, devido a segurança com relação a objetos perfuro-cortantes. Também não saí com os pés cheios de bolhas geradas pelo impacto/atrito direto com o chão.

Estou na fase de transição do tênis para o barefoot. Minha mente já não aceita usar tênis e tenho andado só de adiPure. Quando não puder andar descalço no dia-a-dia, será assim que andarei.

Agora sinto relevos de pequenos objetos que não sentia antes, como uma folha, uma pequena pedra, uma semente no chão. Tanto descalço quanto com o adiPure.
Sinto que meus pés ficaram livres de alguma coisa que não é natural!

A "pose" que faço nas fotos, e que é para exibir os pés descalços, é baseada nas posições "Tadasana", do Yoga. É uma posição que aprendi quando fazia bodybalance, e tem a função de melhorar a postura, equilíbrio, flexibilidade dos tornozelos, joelhos, quadris, e prevenção de hérnia.

Leia também:
 Pé Descalço: liga-nos ás forças da Terra e Fortalece o Corpo, Mente e Alma - Por Marcio Santos