Por Daniel X.
Comecei nas corridas em 2009, onde cismei de participar da Meia Maratona Linha Verde, já começando nos 21 km, embora nunca tivesse nem treinado para isso.
A partir daí comecei a participar de eventos, esporadicamente, e posteriormente fazendo treinos leves. Como seria realizada um maratona em BH em 2012, resolvi treinar para participar. Porém, técnicos e atletas experientes me recomendaram a não participar do evento, devido a falta de experiência da organização. Resolvi ouvir os mais "velhos", e não deu outra. A referida corrida foi um verdadeiro fiasco, onde vi atletas reclamando de falta de hidratação, percurso mal elaborado, racionamento de frutas, entre outras...
Sendo assim, escolhi a Martona do Rio, para ser minha estréia nos 42. Comecei um treinamento com o técnico, Adriano Maron, completando os 21 km da Golden 4 Asics, em aproximadamente 1h e 37 min. O próximo passo seria o treinamento para a maratona, que teve que ser cancelado devido a uma lesão.
Aproximadamente 10 dias antes da prova, fui contemplado com uma sinusite, tendo que fazer uso de antibióticos. E dois dias antes da prova, surge uma espinha na ponta do meu nariz. Parece que o Universo estava conspirando contra...
Apesar de não ter feito um treinamento específico para 42km, fiz um bom reforço muscular com o fisioterapeuta, Dr Ayslan. A recuperação foi satisfatória, e contou com tratamento através de ventosas, Crochetagem, Alongamento, Eletro choque, Ultrassom, Laser, e exercícos específicos.
Na minha última sessão antes da maratona, Ayslan realizou aplicações de Bandagem Elástica Adesiva Neuromuscular, para proporcionar alívio da dor, estabilidade, suporte, e recuperação muscular.
Fui para o Rio com minha esposa, Roseli, que iria participar da Olympikus Family Run. Saímos de BH na sexta-feira. Logo no aeroporto de Confins, já encontrei com outros corredores: Cynthia Barreto (RM Acessoria) e Artur Muller (Friends Runners-Divinópolis).
Conforme recomendado pelo amigo, Jorge Cerqueira, ficamos hospedados no Hotel Íbis, que fica ao lado do aeroporto, e do local de entrega de kit. Além de ser uma área militar.
A retirada do kit, que foi no Museu de Artes Modernas, foi muito tranquila. O local é muito espaçoso, e contava com um grande número de staffs, muito prestativos. Meu nome não constava na lista de inscritos, mas como estava com o comprovante de pagamento em mãos, o problema foi resolvido em poucos minutos.
Os atletas contavam com tenda de massagens, e uma store da Olympikus, que é patrocinadora oficial do evento. Procurei por um cinto de hidratação nessa store, porém os produtos que estavam disponíveis para venda eram os mesmo do kit: camisa, boné, squeeze, além de tênis. Acabei comprando o cinto com vendedores ambulantes, que estavam próximos ao Museu de Arte Moderna.
Encontramos Maurício Sá, que é atleta PNE de BH, e Dart Clea (Vida Corrida!), também retirando seus kits.
Como retiramos os kits logo pela manhã, aproveitamos para conhecer um pouco da cidade. Passeamos na cinelândia, onde tivemos o prazer de assistir um filme no histórico, Cine Odeon.
E é claro, encontrei a obra prima de Mark Millar, "Os Supremos", depois de meses de procura em BH. Corredor nerd? Sim, existe!
Como não poderia deixar de ser, conhecemos o Corcovado, o Museu da República, e o bairro Copacabana, que comemorava seu aniversário de 120 anos.
Embora quando chegamos na cidade, a temperatura estivesse por volta dos 35 graus, os bruxos do tempo previam chuva no dia da prova. E assim foi.
Saímos do hotel por volta das cinco horas da manhã, debaixo de um garoa, rumo aos ônibus que levavam os corredores até o local da largada.
O guarda volumes não estava bem identificado, deixando alguns corredores meio perdidos, mas como não levei nada para ser guardado, não tive problemas.
Eu e o fotógrafo/atleta, Marcos Viana Pinguim.
A largada aconteceu pontualmente, na Praça do Pontal Tim Maia. Larguei no fundão, como sempre. Fiquei muito emocinado no momento da largada, ao refletir sobre quais circunstâncias me levaram até aquele momento.
Sem este cinto de utilidades, teria sido impossível!
Como minha meta era "simplesmente" cruzar a linha de chegada sem compromisso com tempo, fui no trotinho mesmo.
A cada quilômetro percorrido, admirando paisagens paradisíacas, entendia o porquê do evento ser considerado um dos mais belos do mundo.
Outro momento de grande emoção, foi ao ver a passagem de uma atleta cadeirante, e um atleta com amputação de membros superiores, aproximadamente no km 1.
A marcação de quilometragem foi colocada km a km. Postos de água a cada 3 km. Vários pontos de hidratação com gatorade em saquinho, que evitava desperdícios. Postos médicos e banheiros químicos durante o percurso. Embora não tenha visto nenhuma intercorrência médica, via ambulâncias passando a todo momento.
Percurso:
Enquanto passávamos próximos a quiosques, várias pessoas que estavam encerrando um "boa" noitada, nos apoiavam. Outros já não entendiam o quê estávamos fazendo ali. Cheguei a presenciar um momento, onde os festeiros se posicionavam como staffs, oferecendo cigarro e cerveja aos corredores...
No km 10 pensei: "tá fácil, é só multiplicar por 4 + 2", rsss.
Km 21: a partir daqui estava cruzando uma nova fronteira e, cada passo me levava rumo ao desconhecido. E é exatamente nessa parte do percurso que começam as subidas e descidas.
Por volta do km 25 comecei a sentir uma discreta dor nos joelhos.
Altimetria:
Aproximadamente no km 30, senti um mal estar, apesar da hidratação e reposição de carboidratos constantes. Reduzi drasticamente minha velocidade, e a maratona se tornou mais psicológica do que física. Tive que ter muita calma e prudência para administrar o resto do percurso, que contava com inúmeros postos médicos.
A chuva e o vento fizeram com que a temperatura caísse bastante, mesmo assim, consegui seguir em frente, ainda que em câmera lenta.
Após o km 35, senti uma grande fadiga, e meu estoque de carboidratos já tinha acabado. Solicitei a outros corredores que me vendessem um sache, e vários me ofereceram o seu, sem aceitar meu dinheiro. Um deles disse: "não quero seu dinheiro, quero te ver cruzar a linha de chegada", momento que levarei na minha carne. Deixo meus agradecimentos a todos aqueles que me ajudaram naquele momento.
Por volta do km 38 já estava me sentindo bem melhor.
Cruzei a Linha de chegada me sentindo bem, apenas com uma suportável dor nos joelhos. Porém, aproximadamente trina minutos depois, quando me preparava para voltar ao hotel, senti fortes tremores, e fui encaminhado ao posto médico. Onde foi constatado quadro de hipotermia. Minha temperatura axilar chegou a 32º. Nosso vôo, que estava marcado para às 16 h, foi tranferido para as 21h.
O que me derrubou foram as condições climáticas. Ironicamente não o calor, mas o frio. Sempre achei mais desgastane correr em dias frios.
Ao chegar em BH ainda estava me sentindo mal, e fui novamente atendido em um hospital, onde foi administrado 4.000 ml de soro fisiológico morno. A partir deste momento me senti bem.
Apesar destes desconfortos, me senti realizado ao cruzar a linha de chegada.
Confira o vídeo do percurso!
Recentemente, uma pessoa me taxou como "um Homem sem metas", por não ser daquele tipo que, ao chegar o fim de ano, faz uma tabelinha de coisas a serem realizadas no ano seguinte. Realmente, não sou do tipo que faz tabelinhas de metas. Sou do tipo que vai lá e as realiza!
Quanto ao evento, só posso dizer que foi a melhor corrida da minha vida, senão, um dos melhores momentos. A organização está de parabéns, pois realizou um evento realmente internacional, com maestria.
Já participei de eventos que levavam o "título" de internacional, porém, de internacional só tinha o nome.
Organizadores tem cobrado valor semelhante em BH, por percursos de 5 e 10 km, onde ao cruzar a linha de chegada o atleta ainda tem que enfrentar racionamento de hidratação e frutas. Para mim, este tipo de evento está fora do meu calendário, e sugiro boicote ao maus organizadores.
Outro ponto que tenho tocado muito, é a emissão de Nota Fiscal referente à prestação de serviços. Nós atletas, somos clientes e, devemos cobrar nota fiscal ao fazer inscrição em algum evento. Quero parabenizar a Iguana Sports, Yescom e TBH Esportes, que sempre emitiram nota fiscal referente a seus eventos, quando solicitado.
Já fiz minha solicitação à que organizou da Maratona do Rio, e aguardo retorno.
Para aqueles que nunca participaram de uma maratona, e tiverem condições, eu recomendo. A cada placa de quilometragem ultrapassada; atletas PNE se superando ao largar a 42 km da linha de chegada; corredores me ajudando em momentos decisivos; as paisagens paradisíacas; a chuva e o vento, sob uma temperatura que chegou a 18º; e os quilômetro finais, tornaram este acontecimento mais que um simples evento esportivo, mas uma verdadeira lição de vida.
Nota: 10!!!!
Agradecimento: Roseli Bernardo, Dr. Humberto Nilton Coelho, Dr Ayslan Dias, Dra Ana Luiza Prates, Dr Roberval Neves Chaves.




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