segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Volta da Lagoa dos Ingleses - Carta aos Atletas Por Bruno Khouri 19.11.12


Por Bruno Khouri


Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer ao Daniel pela ótima conversa que tivemos, foi muito esclarecedora, e também pela oportunidade de utilizarmos o seu blog para divulgarmos algumas questões relativas à Volta da Lagoa dos Ingleses (AQUI).

A Volta da Lagoa dos Ingleses é um evento muito importante para nós e para os atletas. A idéia surgiu da busca pela inovação. Queríamos desenvolver um evento que fugisse do meio urbano, lugar comum das corridas de rua. Muitos atletas estão cansados de correr na Pampulha e, indo além, cansados de correr na cidade. Dentro deste contexto, o condomínio Alphaville Lagoa dos Ingleses foi escolhido como lugar ideal. Lá encontramos um belíssimo espaço natural, com suas estradas de terra em meio aos eucaliptos, e também com sua lagoa de águas limpas. Além disso o condomínio oferece o conforto de estar a apenas 25km de BH em estrada asfaltada, ter amplo estacionamento e ótima estrutura com comércio, restaurantes, padaria e banheiros.

Após a formatação do evento, começaram os grandes desafios para a sua viabilização. O primeiro deles foi político, pois o condomínio é rodeado por propriedades particulares. Tivemos um longo período de reuniões e negociações com várias instituições para que o evento fosse autorizado. Conversamos com a Prefeitura de Nova Lima, Guarda Municipal de Nova Lima, PMMG, Corpo de Bombeiros Militar de MG, Associação Geral Alphaville Lagoa dos Ingleses, Minas Tênis Clube, Town Houses, Lagoa dos Ingleses Properties, Iate Clube Lagoa dos Ingleses, DNIT, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual, Cond. Península dos Pássaros, Anglo Gold, entre outros.

O segundo desafio foi técnico pois não existe um caminho contínuo que dê a volta completa na lagoa. Temos que abrir cercas, capinar terrenos, tampar buracos, estudar o nível da água da lagoa... E isso tudo alinhando com as necessidades dos atletas. Após ouvirmos os relatos dos que correram as últimas edições, concluímos que precisávamos desenvolver um trajeto menos montanhoso e com menos asfalto. Havia também a reclamação de alguns atletas picados por marimbondos em um trecho, como o próprio Daniel relatou em seu blog (AQUI). Após várias semanas e dezenas de visitas técnicas, chegamos ao percurso que foi proposto para esta edição de novembro de 2012.

No mapa abaixo vocês podem ver em vermelho o caminho antigo (sentido horário), e em azul o caminho novo (sentido anti-horário).
 Vejam também que marcamos com um círculo amarelo no mapa o local onde houve o acidente com as abelhas, atrás do muro das Town Houses, próximo à uma descida curta, porém íngreme. Esta trilha é inédita no percurso e fisicamente nem existia. Foi feito um grande trabalho para abrir o caminho por lá.

Contratamos 4 homens que trabalharam por 4 dias usando inclusive roçadeiras à motor para cortar o mato. Foi aberto um corredor de aproximadamente 2 metros de largura margeando toda a extensão do muro, num trecho de aproximadamente 700 metros, e ainda fizemos uma separação do mato utilizando fita zebrada. O trecho sofreu muitas modificações do seu estado natural e foi frequentado por muita gente em nossas visitas técnicas. Nossa equipe passou por lá correndo diversas vezes, tudo pensando no conforto e na segurança do atleta. Em nenhum momento em toda esta operação tivemos qualquer problema com abelhas ou marimbondos e desta forma concluímos que o trecho estava aprovado para o evento.

Vejam abaixo algumas fotos do trecho atrás do muro das Town Houses (nas fotos não aparecem as fitas zebradas pois o trecho foi fotografado após a limpeza para comprovação junto à Associação Geral).
  
  

Já o trecho apontado pelos atletas que sofreram picadas de marimbondos é um trecho de mata fechada, cuja entrada vocês podem ver na foto de 2011 (abaixo) e também está localizado pelo círculo branco no mapa inicial deste relato.

Desta forma, ratificamos que os episódios são distintos (marimbondos em uma edição e abelhas em outra), e também em locais diferentes (mata fechada em uma edição e trilha ao lado de mato baixo na outra).  Fizemos um extenso trabalho para viabilizar um evento mais plano, mais seguro e mais divertido para todos, mas infelizmente fomos surpreendidos por este acidente.

Porém, mais importante do que toda esta explicação, é saber que agora, graças a Deus, os atletas que sofreram com as picadas das abelhas já estão bem. Na última semana nos dedicamos a conversar com vários atletas e as coisas estão se resolvendo. Não há nada mais precioso do que a saúde, isso é imensurável. Conversei com o Sr. José Doutor da Boa Ventura, que além das picadas caiu e machucou o ombro, mas agora também já está melhorando.

Eu mesmo já sofri um problema muito semelhante. Há aproximadamente 10 anos atrás fui competir um Triathlon em Guaratuba e no dia da competição o mar estava frio e bravo. Havia muitas águas vivas na água e encalhadas na areia, sendo óbvio o risco de queimaduras. A organização foi alertada e ao invés de transformar a prova em Duathlon resolveu manter a natação. O resultado foi que vários atletas foram queimados e eu fui tão queimado que acabei indo pro hospital de ambulância. Um horror! A sensação de medo e depois de raiva é muito grande. Mas a grande diferença é que o risco era iminente e a largada foi dada da mesma forma. Em nosso caso, na Volta da Lagoa dos Ingleses, não havia nenhum risco iminente.

Sobre a Área Médica do evento, é importante esclarecer alguns pontos.
A única legislação que determina o tamanho da equipe médica de um evento é o Estatuto do Torcedor (AQUI), que diz que o organizador deve disponibilizar uma ambulância, um médico e dois enfermeiros para cada dez mil pessoas e comunicar previamente à autoridade de saúde a realização do evento. É claro e óbvio que uma evento de corrida desta natureza não pode ter uma equipe tão pequena e por isso a TBH contratou um total de cinco ambulâncias sendo três delas UTIs e as outras duas ambulâncias básicas. Além disso, montamos um serviço de socorro diferenciado, com a presença de alguns socorristas que circulam na garupa de motos para ficarem mais próximos aos atletas. No local do acidente com as abelhas já havia uma ambulância básica posicionada e, logo que foi noticiada a ocorrência, uma UTI e outra ambulância básica foram prontamente deslocadas para o local. O próprio Daniel me relatou que, num segundo momento, conversou com o médico no local e, além disso, o próprio Daniel foi removido para o hospital em uma das ambulâncias do evento. A ambulância do SAMU que foi chamada não foi necessária e logo que chegou já foi embora pois os primeiros atendimentos já haviam sido prestados. Todos os medicamentos distribuídos aos atletas foram fornecidos pela equipe médica contratada.

Quanto a prova de Corrida Low Limits, convém também esclarecer.
Após o chefe da equipe médica do evento nos comunicar que a situação já estava sob controle, convocamos uma reunião com os atletas inscritos na prova Low Limits. Foi explicado o acidente com as abelhas e que, como o percurso inicial seria o mesmo, deveríamos modificá-lo para garantir a segurança de todos. Refizemos o coneamento do percurso para o outro lado, reabastecemos um posto de água e reposicionamos uma das UTI. Com isso a largada foi dada às 09h45 e o percurso teve 7km, de acordo com o mapa abaixo, sendo 40% no asfalto, 30% na terra e 30% misto (grama ou asfalto à escolha do atleta). Infelizmente o percurso ficou parecido com o da edição anterior (mais montanhoso), mas tudo em prol da segurança dos atletas.

Por fim, o compromisso da TBH com a segurança dos atletas é primordial. Nunca seríamos negligentes ou colocaríamos as pessoas em risco.
O atleta é a peça mais importante de um evento esportivo e merece todo o nosso respeito.

Estamos à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas e para ouvir sugestões.
Boas Corridas!

Bruno Khouri

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6 comentários:

  1. Li....

    Luiz Fernando (Batman)

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  2. Cláudio Camargos de Carvalho20 de novembro de 2012 01:06

    Cláudio Camargos de Carvalho (corrida Hi Limits atleta nº433)

    Estive presente nos dois dias do evento e posso dizer que realmente a organização tomou o devido cuidado para que fosse seguro, pelo menos, foi o que vi no sábado para assistir a prova de Triatlon que acabou se transformando em Duathon justamente por segurança, pois estava chovendo e o risco dos atletas caírem com suas bikes era muito grande. Além disso, a prova de natação que inicialmente começaria no pórtico teve de ser transferida para dentro d'água para que os atletas não se machucassem ao entrarem na lagoa, pois o nível da água estava muito baixo e mesmo a equipe do Corpo de Bombeiros terem removido algumas pedras para que os atletas não se machucassem, foi mais prudente pela organização e o Corpo de Bombeiros que a prova se iniciasse com todos os atletas já dentro d'água, todas essas medidas causaram um atraso do início da prova justificável.

    Já no domingo, tive a sorte de passar pelos marimbondos e apenas um ter me ferroado, mas como não sou alérgico continuei a prova e não procurei a ambulância após a prova, pois não vi necessidade.Só com o término da prova é que fiquei sabendo de todo o ocorrido.

    Gosto da proposta da All Limits por justamente ser uma prova Cross Country e também ser próximo a BH, mas sugiro que outros lugares devam ser analisados para um futuro evento, pois assim como a Pampulha daqui a pouco a Lagoa dos Ingleses também se tornará um evento comum. Fica aí a dica! ;)

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    1. Em primeiro lugar, deixo claro que o foco do blog é: relatar minhas experiências nas corridas de rua (um diário mesmo), e compartilhar essa experiências com outros atletas. Qdo comecei nas corridas, buscava sites/blogs assim, mas encontrei apenas comunidades no Orkut. Onde cada um expressava sua opinião a respeito dos eventos. Às vezes de forma imparcial, às vezes não.

      O blog até hj não tem fins lucrativos e, é aberto a qualquer corredor que queria contar sua aventura. E também a organizadores, desde que não seja em forma de propaganda.

      Qdo o Bruno me ligou para saber o que havia acontecido comigo, relatei aquilo que vivi no evento:

      1-Qto ao tempo que a 2ª ambulância(da organização) gastou para chegar ao local da ocorrência, não tenho nem noção, pois estava em uma situação de estresse.

      2-Qto à ambulância do SAMU, pode não ter ficado claro, mas fui encaminhado ao Biocor em uma ambulância da organização, que chegou no local do ocorrido momentos depois,pois a primeira equipe que já estava no local em uma ambulância básica, se mostrou despreparada. Esse despreparo me levou a ligar para o SAMU, pois, como já disse, ou voltávamos pela trilha do enxame, ou tínhamos mais de 10 km pela frente, com risco de choque anafilático, e sem saber se haveria um novo enxame:
      "(...)Fui encaminhado à ambulância, onde já haviam quatro pessoas a espera de atendimento. Foi quando alguém gritou que uma pessoa havia desmaiado. Então mandaram que todos os que estavam na ambulância descessem para atender à essa intercorrência mais grave. Assim não vi outra opção a não ser ligar para o SAMU(...)"

      3-Qdo estávamos a caminho do Biocor, veio a minha hora de desespero:
      Sou asmático, tive uma embolia pulmonar em julho, e passei um aperto na ambulância eqto nos encaminhavam ao Biocor. Minha Sat. de O2 começou a cair, a pressão arterial tb. Como já carrego minha aparelhagem de primeiros socorros, eu mesmo fiz o meu atendimento pré hospitalar. Usei bronco dilatador, liguei oxigênio a 2 l/min. Mas o momento de maior desespero foi qdo minha pressão arterial caiu a 65/42 mm.hg, que ficou registrado no meu aparelho. O enfermeiro viu o valor através da janelinha da ambulância, e queria parar a mesma para me atender, mas coloquei uma pastilha de cloreto de sódio, sub lingual e, pedi para que ele continuasse, pois já estávamos próximos ao hospital.Fui na ambulância com mais duas pessoas. Não sei se era uma doblo ou fiorino.

      4-Minhas queixas pessoais não são com relação às abelhas em si, como já disse na matéria, nós estávamos invadindo seu território. Minha queixa é qto ao despreparo da 1ª equipe que nos "atendeu". Como pode ser visto em relatos de outros corredores, a equipe ficou tão desesperada qto os atletas.

      5- Também não entendi quem era o cara de branco que estava dentro da 1ª ambulância (aquele que estava com uma caixa de medicações na mão). Era um profissional formado na área da saúde?

      6-Muitos relataram que no posto de hidratação não havia ninguém, nos levando a entender que o enxame já estava ocorrendo, e que pessoas ligadas à organização já poderiam estar cientes, pois abandonaram o posto de hidratação. Por quê não foi interrompido a prova naquele momento? Tanto quem passou na frente, qto que passou por último, foi atacado pelo enxame. Abelha é considerado um ANIMAL PEÇONHENTO, e por isso todos foram submetidos a ao contato com as mesmas, já que não foi interrompido o trajeto mesmo depois início do ataque das abelhas.

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    2. 7-Qto ao número de ambulâncias, mesmo havendo um número maior que o previsto pelo estatuto de torcedor, o que ficou marcado não foi a quantidade de ambulâncias, mas o despreparo no 1º atendimento, e talvez isso tenha deixado os atletas mais desesperados.

      8- Nos comentários da matéria sobre o evento, alguém cita o seguinte:
      (...)"Veja, do incidente XTerra, depois de mais de 20 minutos (!!) para aquela "tal" equipe tomar as devidas atitudes, o que restou foi, no dia seguinte, a triste notícia de que NOSSO COMPANHEIRO DE CORRIDA FALECEU!! REPITO F A L E C E U !"(...)
      " a 'tal" equipe SE MOSTRA ATERRORIZADA, DESPREPARADA, SEM ATITUDE, E IMPERITA para nos socorrer"(...)

      Aparentemente a equipe contratada era a mesma. Uma coisa para se refletir.

      8- E qto à responsabilidade da organização no evento, como já disse antes, se havia uma equipe supostamente despreparada para o atendimento pré hospitalar, ela foi contratada por quem?

      Agradeço por ter se manifestado. É o primeiro organizador que vejo ter essa atitude. Estamos cansados de participar de eventos onde organizadores não respondem a um mero e-mail, e eventos realizados por esse tipo de profissional estão fora do meu calendário.

      Como pode ser lido no começo da minha matéria, o evento estava muito bem organizado, foi uma das melhores de 2011, mas infelizmente, para mim, essa edição ficou marcada por aquilo que poderia ter sido uma tragédia.

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  3. Eu acho que não se tem controle sobre a natureza, então infelizmente o ataque de abelhas é uma força maior, faltou foi socorro, a organização falhou nessa parte, tinha que haver mais ambulâncias a disposição dos atletas e pessoal treinado. Não discuto que foi feito o possível para que o evento fosse o melhor...mais imprevistos acontecem
    e nisso faltou algo.
    Vizinha!!!

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  4. Acredito que a organização tenha tomado todo o cuidado com a trilha, limpado e testado. No entanto, acho que ainda há uma falha. Não temos o controle da natureza, mas ainda acredito que este episódio poderia ter sido evitado, a limpeza do terreno deve ser feita não só na trilha mas também ao seu redor. Quanto a ambulância e o serviço pra mim, só serviu para me levar de volta a largada. Quem me salvou foi o Daniel que me deu um polaramine na hora. Se não fosse ele, seria mais uma a estar no hospital. Não tenho muito conhecimento do estatuto do torcedor,e não me considero uma torcedora. No caso acredito ser uma consumidora que compra um produto, portanto espero uma corrida em que haja uma estrutura e segurança. Me admira que no relato do organizador não houve em nenhum momento um pedido de desculpas aos corredores que passaram por essa situação terrível. Não que eu queira dizer que o organizador tenha culpa, ou que isso alterasse o ocorrido, mas seria no mínimo educado e solidário.
    Vejo também no relato do organizador que foi feito todo o possível para limpeza do terreno com várias visitas técnicas, no entanto volto a dizer que o ocorrido mostra que não foram suficientes, a meu ver há uma falha. Participei de todas as All Limits, mas depois dessa não participo mais, até porque na fala do organizador e de alguns, já que é da natureza, posso novamnete levar mais de 20 picadas e realmente não quero arriscar minha vida e passar novamente por isso.

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