quinta-feira, 29 de agosto de 2013

316.224 Horas Sem Fumar, Estou Quase Chegando Lá! #1

Imagem:pordentrodo9dejulho


Por Daniel X.

Dia 29 de agosto é o Dia Nacional do Combate ao Fumo. A princípio, esse tipo de postagem deveria ser desnecessária a atletas, pois, o principal motivo da pratica do esporte é a melhora e manutenção da saúde, mas por incrível que pareça, conheço muito atleta que fuma. Inclusive corredores...
Além do mais, as postagens feitas neste blog não são voltadas somente a atletas.

Pesquisas mostram que, aproximadamente dez mil anos antes de Cristo, índios da América Central já utilizavam o tabaco rituais religiosos.
 Já na América Central  as formas mais antigas conhecidas do cigarro  são  do século IX na forma de cachimbos feitos de bambu. No Brasil o relato mais antigo é referente  aos índios tupinambás, em 1556.




Na imagem acima um vaso Maia do século X, no qual se pode observar uma espécie de charuto feito de folhas de tabaco amarradas com um cordel.

O cigarro começou a ser fabricado a partir de 1840 e, quarenta anos depois, foi criada uma máquina capaz de enrolar um grande número de cigarros por minuto, propiciando a sua popularização.

O tabagismo passou de um exótico hábito praticado pelos aborígenes sul-americanos, apreciado pelos europeus, a sinônimo de elegância/status séculos mais tarde, e hoje em dia, é alvo de grandes disputas judiciais, campanhas que combatem o hábito, e causa de seis milhões de mortes ao ano.

Atualmente, são aproximadamente 1,2 bilhão de fumantes em todo o mundo, sendo que 38 milhões vivem no Brasil.


Mapa da estatística mundial de países/número de cigarros por adulto anualmente (2013):
Cálculo: consumo anual de cigarros ÷ população

Quando sofri uma embolia pulmonar em 2012, muitas pessoas cogitaram que é melhor "aproveitar a vida do que ser atleta", e cheguei a ouvir: "é melhor viver como vivo, bebo, fumo, e nunca tive isso".
De vez em quando também ouço: "conheço uma pessoa que sempre bebeu, sempre fumou, e viveu até 120 anos!"
No meu caso, pelo menos em uma coisa todos os médicos que me atenderam foram unânimes, "você só não morreu porque é atleta".
E será que essa história de "bebeu, fumou, e viveu até 120 anos", procede/vale a pena? Será que viveu até os 120 com qualidade de vida?



O "The Lancet", um dos jornais médicos mais respeitados da Inglaterra, revelou através do artigo "Global Burden of Disease Study 2010", que a população de todo o mundo tem vivido mais, porém as pessoas têm levado um estilo de vida menos saudável. E o Brasil está inserido neste contexto mundial.

A partir deste estudo, pode-se deduzir que a população mundial estaria vivendo mais tempo, porém, mais doente.

Longevidade mas sem qualidade de vida.




Brasil no Ranking do Tabaco...

No ranking dos maiores consumidores de tabaco no mundo, o Brasil aparece na 94ª posição. Mesmo assim, um estudo da ACT (Aliança de Controle do Tabagismo), mostra que o tabagismo é responsável por 13% das mortes no País. São 130 mil óbitos anuais (350 por dia). 

Por outro lado, na lista dos maiores produtores de cigarro do mundo, o Brasil é "medalha de bronze".
Estimativa da produção de tabaco não processado por país pela Organização das Nações Unidas (2000):

A produção de fumo gera perdas para o país?

Se por um lado o tabaco gera lucros através de impostos, por outro, gera perdas para a economia do país devido aos efeitos colaterais sofridos pelos usuários do produto. Segundo o Banco Mundial, o consumo do fumo gera uma perda mundial de 200 bilhões de dólares por ano,  representados por:
  • sobrecarga do sistema de saúde com tratamento das doenças causadas pelo fumo
  • mortes precoces de cidadãos em idade produtiva
  • maior índice de aposentadoria precoce
  • faltas ao trabalho de 33 a 45% a mais
  • menor rendimento no trabalho
  • mais gastos com seguros
  • mais gastos com limpeza, manutenção de equipamentos e reposição de mobiliários
  • maiores perdas com incêndios
  • redução da qualidade de vida do fumante e de sua família.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a fumaça do cigarro reúne cerce de 4.700 substâncias tóxicas diferentes, muitas delas cancerígenas.

Um estudo realizado pela Aliança de Controle do Tabagismo mostra os gastos que o tabagismo traz ao país:
O Brasil gasta em torno de R$ 21 bilhões no tratamento de pacientes com doenças relacionadas ao cigarro. O tabagismo é responsável por 13% das mortes no País. São 130 mil óbitos anuais, sendo (350 por dia). 

O estudo de carga do tabagismo analisou um total de 2.442.038 doenças. Deste total, 821,336 atribuídas ao tabagismo (Mapa do fumo no Brasil AQUI!).

Hoje, temos vários hospitais conveniados com o SUS que prestam todo atendimento aos indivíduos que querem deixar o cigarro. Na minha opinião é mais uma preocupação com os cofres públicos do que com a própria saúde do cidadão.
Mas de qualquer forma, acaba beneficiando a sociedade.

Aliança de Controle do Tabagismo - Locais de Tratamento: confira as clínicas cadastradas AQUI!

Além de todos os danos à saúde gerados pelo cigarro, o mesmo é considerado o maior poluente de ambientes domiciliares; é responsável pela derrubada de árvores e queimadas em prol do plantio do fumo e fabricação de lenha para abastecimento de fornalhas para o ressecamento das folhas; contamina os solos pelo uso de agrotóxicos; e é o causador de inúmeras queimadas, graças ao descarte indevido de suas bitucas.

Nazismo Vs. Tabagismo...(Não é um nenhuma apologia ao regime nazista!!!!!!!)

Movimentos anti-tabagistas cresceram em vários países a partir do início do século XX, mas estas tiveram pouco sucesso, a não ser na Alemanha, onde a campanha foi apoiada pelo governo, depois do Partido Nazista haver tomado o poder. Foi a campanha antitabagismo mais poderosa do mundo na década de 1930 e início da década de 1940.
A pesquisa sobre o fumo e seus efeitos na saúde também prosperaram durante o governo nazista sendo a mais importante de seu tempo, neste assunto. 
Os nazistas utilizaram várias táticas de relações públicas para convencer a população em geral da Alemanha a não fumar. Revistas sobre boa saúde bem conhecidas com a Gesundes Volk(Pessoas Saudáveis) ,Volksgesundheit (Saúde do Povo) and Gesundes Leben (Vida Saudável) publicavam advertências sobre as conseqüências de fumar para a saúde. Também cartazes mostrando os efeitos nocivos do tabaco eram exibidos nas cidades. Mensagens antitabagismo eram enviadas para as pessoas em seus locais de trabalho , muitas vezes com a ajuda da Juventude Hitlerista e da Deutscher Bund Madel (BDM). . A campanha antitabagismo realizada pelos nazis também incluía a educação sanitária.

Freud e sua fixação oral: seu inseparável charuto

O neurologista e criador da Psicanálise, Sigmund Freud, morreu de complicações devido a um câncer maligno na região maxilar, vindo a ser submetido a mais de trinta cirurgias no decorrer de sua vida. Após a retirada do tumor, Freud veio a usar uma prótese que lhe trazia algumas limitações na fala.
Algumas biografias contam que Freud sofreu muito pela doença em seus últimos 20 anos de vida, e que, após décadas lutando contra o câncer, solicitou aplicação de uma injeção letal de morfina e falecendo em 23 de setembro de 1939.





O "Marlboro Man" morreu de câncer...
O Marlboro Man era parte de uma propaganda de cigarro. Nos Estados Unidos, onde se originou a propaganda, foi ao ar de 1954 até o ano de 1999. O famoso caubói "Marlboro Man" foi criado por Leo Burnett em 1954. A propaganda da Marlboro, criada por Leo Burnett Worldwide, é tida como uma das mais brilhantes propagandas de todos os tempos.
Dois homens que apareceram na propaganda da Marlboro, no papel de "Marlboro Man", chamados Wayne McLaren e David McLean, morreram de câncer no pulmão.


Wayne McLaren, disse que fumava 1 1/2 maços por dia, durante cerca de 25 anos. Posteriormente foi diagnosticado com câncer de pulmão, se um tornando um ativista na luta anti-tabagismo. 
Morreu aos 51 anos.

Teste: o que você sabe sobre o câncer? AQUI!
Dicas para parar de fumar em áudio pelo Dr Drauzio Varella: 

Trocando o vício de fumar pelo de correr...

Luis Henrique Oliveira - Cardiologista e corredor:


"7320 horas limpo...305 dias...10 meses sem fumar...

E a incrível sensação de estar há apenas 2 meses para ser considerado ex-fumante pela Organização Mundial de Saúde! Irei fazer, no dia 04 de Agosto, a minha 30ª corrida e 5ª meia maratona. E pensar que há 10 meses atrás eu não conseguia correr 100 metros sem ter que parar pra descansar... O meu corpo me agradece por todas as mudanças! A corrida me tornou um novo homem e nas vésperas de completar 34 anos, a expectativa é que eu tenha muitas velinhas pra apagar nos anos que virão... COM TODO FOLEGO DO MUNDO!"

Em 1º de agosto de 2013, às vésperas da 12ª Meia Maratona de João Pessoa, da qual veio a quebrar seu recorde pessoal.







Fábio Namiuti - Maratonista, escritor, e analista programador:



"Não me perguntem como parei de fumar. Se eu for escrever um livro sobre isso, ele vai ter uma página. Talvez um parágrafo. 

Parei parando. Parei porque sou covarde, tive medo de morrer quando levei aquele susto e descobri que, com 31 anos, já tinha pressão alta, 18x12. Já havia tentado parar outras vezes, mas sempre por motivação externa, nunca uma que viesse assim de dentro para fora. Ainda bem que não foi um infarto ou um derrame. Larguei assim, num estalo, o "companheiro" de quinze anos. Não precisei de remédios, adesivos de nicotina, cigarros de mentira e nem de hipnose. Foi tão fácil que a única raiva foi não ter parado antes. Mas foi fácil porque eu quis de verdade, perseverei e tive ao meu lado um aliado fundamental: a atividade física. Fazer caminhadas, que mais tarde virariam corridas, ajudou demais. Não digo que troquei um vício por outro, porque esporte não é vício, é virtude. Todo mundo consegue. É só correr (talvez literalmente) atrás."






Daniel X. - Asmático, "maratonista", blogueiro...




"Asmático de nascença, se fumasse com certeza já teria colhido as complicações do fumo há muito tempo. Meu primeiro esporte foi o Taekwondo, que me ajudou muito com as crises de asma, mas depois virei sedentário.

Depois de muitos anos no sedentarismo, resolvi participar de uma meia maratona sem nem ao menos me preparar. Resultado:viciei em corridas. O cigarro? Ah, é! Na verdade, as 316.224 horas sem fumar, do título da postagem, se referem ao tempo da minha existência. 



Na modalidade ativa NUNCA fumei. Já na modalidade passiva, fumo todos os dias..."







Dica de filmeeeeeeee!
Obrigado por Fumar (★★★★☆)
Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o principal porta-voz das grandes empresas de cigarros, ganhando a vida defendendo os direitos dos fumantes nos Estados Unidos. Desafiado pelos vigilantes da saúde e também por um senador oportunista, Ortolan K. Finistirre que deseja colocar rótulos de veneno nos maços de cigarros, Nick passa a manipular informações de forma a diminuir os riscos do cigarro em programas de TV. Além disto Nick conta com a ajuda de Jeff Megall, um poderoso agente de Hollywood, para fazer com que o cigarro seja promovido nos filmes. Sua fama faz com que Nick atraia a atenção dos principais chefes da indústria do tabaco e também de Heather Holloway, a repórter de um jornal de Washington que deseja investigá-lo. Nick repetidamente diz que trabalha apenas para pagar as contas, mas a atenção cada vez maior que seu filho Joey dá ao seu trabalho começa a preocupá-lo.


 “Eu sou a prova morta de que o cigarro vai matar vocês” 

domingo, 25 de agosto de 2013

Maratona do Rio e Seu Compromisso Social. Organizadores, Sigam Este Exemplo!

Imagens:Google
Por Daniel X.

Já vi alguns eventos (não apenas corrida de rua) com temática social onde pareciam apenas usar o nome de doença como chamativo, pois não era divulgado que nenhum tipo de verba seria voltado a alguma entidade e não havia nenhuma referência à temática durante a prova, como uma campanha de conscientização.

Na Maratona da Caixa do Rio de Janeiro, ao realizar a inscrição para o evento, cada corredor podia escolher uma das três organizações: Médicos Sem Fronteiras, Instituto da Criança e Ação da Cidadania, para receber uma doação referente a R$ 5,00 de cada inscrito na prova.

Confesso que, quando fiz a inscrição e escolhi Médicos sem Fronteiras,  para serem os beneficiados, pensei: "será que realmente vão receber essa doação?!"

Em um país onde pilantropia e filantropia se confundem, é natural andarmos desconfiarmos, né. Ainda mais sendo mineirinho...

A resposta veio há algumas semanas atrás, quando vi uma matéria (AQUI) informando que a Spiridon e a Dream Factory, organizadoras da prova, estavam realizando as doações para as respectivas organizações:
O Instituto da Criança recebeu R$29.920,00;  a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) recebeu R$ 29.865,00; e a Ação da Cidadania R$5.890,00.

Após essa notícia me senti bem em saber que, nessa grande contribuição que foi feita às entidades, existe uma pequena participação da minha parte.

Em alguns países, correr em prol de instituições sociais é muito comum. Fiquei sabendo dessa cultura  no filme "Maratona do Amor", onde um sedentário se inscreve em uma maratona para reconquistar a ex-noiva, da qual ele deixou no altar e grávida. Ao fazer sua inscrição na maratona, é requisitado o nome da ONG da qual o protagonista estaria representando. Até então, nunca havia ouvido falar nada a respeito, nem o personagem do filme, rs.

Na matéria Correr por uma causa, no site papo de Esteira, Vivian Dombrowski fala do ato de cada corredor adotar uma causa em outros países, e cita a “Run For Charity”, como exemplo.

Em seu blog, o corredor, Prof. Adolfo, conta que, inspirado pela matéria de Vivian Dombrowski, dedicou uma corrida à ReHuNa  (uma organização que congrega várias entidades que lutam em defesa do parto humanizado, sem violência obstétrica).

Segundo Janette Franco, organizadora da Run 4 Parkinson, "achar o meio termo, na composição de um evento como o nosso, atender atletas conscientes de nossa causa e também parkinsonianos e familiares é um grande desafio que não ouso a fazer sozinha", e acrescenta "do lado de cá, de quem está com parkinson e quer fazer com que a sociedade conheça sobre a doença e se sensibilize com os seus doentes, o desafio é enorme, porque ninguém quer falar sobre dor, sobre doença, limitações e incapacidade" .

Já participei de vários eventos que contavam com temáticas sociais, entre eles:
Corrida da ALMG - valor da inscrição: 3 quilos de alimentos não perecíveis, ou vale-alimento no valor de R$15,00 que foram encaminhados à Associação dos Leucêmicos do Estado de Minas Gerais (Leuceminas);
5ª Corrida e Caminhada De Bem com a Vida-TJMG: valor de inscrição foi de 2kg de alimentos não perecíveis, que foram doados para instituições apoiadas pelo TJMG;
Corrida Rústica do 23º BPM: dois litros de leite distribuídos para quatro entidades de Divinópolis;
Corrida Pela Vida - POA: a renda arrecadada com as inscrições e produtos vendidos no dia da prova foram voltadas ao ICI-RS (Instituto do Câncer Infantil de RS);
Circuito de Corridas do Carteiro: na retirada do kit, o atleta entregava 400 g de leite em pó doados para uma instituição escolhida pela organização;
Entre outras.  Mas a organização da qual já vi fazer a maior contribuição social foi a Maratona do Rio.

Participar de corridas meramente comerciais se tornou completamente desnecessário para mim. A sensação que tenho ao participar de eventos dos quais não acrescentam em nada à sociedade, é a seguinte: acabou, agora vou embora e pronto.
Correr por uma causa pode ser um combustível a mais para nossa participação nas corridas de rua, mas assim como a Spiridon Promoções e a Dream Factory, organizadores/realizadores também devem abraçar a causa, e não apenas  usar o nome de uma doença como chamativo.

Conheça um pouco sobre as  Instituições contempladas e visite seus respectivos sites, onde é possível conhecer mais sobre seus projetos e também fazer doações online:

Médicos sem Fronteiras ou Médecins sans Frontières (MSF) é uma organização internacional não-governamental sem fins lucrativos que oferece ajuda médica e humanitária a populações em situações de emergência, em casos como conflitos armados, catástrofes, epidemias, fome e exclusão social. É a maior organização não governamental de ajuda humanitária do mundo, na área da saúde.
MSF proporciona também ações de longo prazo, na ajuda a refugiados, em casos de conflitos prolongados, instabilidade crônica ou após a ocorrência de catástrofes naturais ou provocadas pela ação humana.


A organização foi criada com a ideia de que todas as pessoas têm direito a tratamento médico, e que essa necessidade é mais importante do que as fronteiras nacionais (com base na tese do direito de ingerência humanitária).
MSF recebeu o Nobel da Paz de 1999, como reconhecimento do seu combate em favor da ingerência humanitária. Atualmente, a organização atua em mais de 70 países e tem como presidente o Dr. Unni Karunakara.
Site: AQUI!

O Instituto da Criança é uma organização do Terceiro Setor que promove o Empreendedorismo Social. Propõe-se a responder à questão recorrente sobre o que cada um pode fazer para contribuir em processos de transformação social e para o desenvolvimento sustentável.
Iniciou suas atividades de modo informal em 1994 e, no decorrer desses anos, evoluiu e se consolidou como uma OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - sem fins lucrativos. Apóia instituições sociais existentes, realiza programas de educação, atua como incubadora social para novos programas e instituições, e apóia empresas no exercício da responsabilidade social no Rio de Janeiro e São Paulo.
Site: AQUI!



A Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida tem como missão sensibilizar e mobilizar a sociedade brasileira para encontrar soluções contra a fome e a miséria. Tendo como principal eixo de atuação a formação de uma rede de Comitês Locais, formadas por líderes comunitários voluntários, a Ação da Cidadania fortalece, a cada dia e na prática, a construção da cidadania plena e da democracia brasileira.
Site: AQUI!





Parabéns a Spiridon Promoções Eventos e pela Dream Factory pela atitude e, que outro organizadores sigam este exemplo!

Apaixonado pelas Corridas de Rua, atleta cria projeto social para crianças de Itaquera

sábado, 24 de agosto de 2013

Médicos Cubanos nas Corridas de Rua? Eu Quero!

Por Daniel X.

Com a chegada ao Brasil dos primeiros estrangeiros que fazem parte do programa Mais Médicos, as polêmicas a respeito aumentaram muito. Inclusive, com o presidente do CRM-MG fazendo sua declaração“Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”.


Muito tem se questionado sobre esses profissionais estarem ou não aptos para exercer a medicina em nosso país, inclusive, alguns já foram suspensos; sobre exercício ilegal da medicina; sobre a verba do programa que seria repassada a Cuba, e não aos "4 mil escravos de jaleco"; e teorias da conspiração (das quais sou adepto), que alegam que esses profissionais seriam espiões comunistas.


Mas a questão é que, o fato desses médicos estarem ou não aptos para nos atenderem, me fez recordar alguns episódios que já vivi e presenciei nas corridas de rua.


Um desses episódios aconteceu após minha participação na maratona do Rio 2012, onde vim a ter um quadro de hipotermia minutos após cruzar a linha de chegada. Na ocasião fui atendido na tenda médica do evento e liberado. Vindo a passar mal posteriormente no aeroporto Santos Dumont, onde fui novamente atendido, só que pela equipe médica do local.

Quando cheguei em BH, fui direto para o hospital e doze dias depois,  já com cianose, taquicardia, Sat O2 alterada (inclusive com gasometria bem baixa), é que  foi diagnosticado o quadro de embolia pulmonar bi lateral.

O fato me gerou dúvidas e inseguranças quanto a eficiência dos atendimentos de urgência em eventos, uma vez que, quando fui liberado do posto médico da prova, ainda estava me sentindo mal. Vindo a ser atendido novamente no posto médico do aeroporto com quadro de hipotermia.

Cópia do relatório médico do atendimento no Aeroporto Santos Dumont em 2012 (clique para ampliar):



Além deste episódio, também em 2012, participei de uma corrida Cross Country (AQUI), onde eu e outros corredores viemos a ser atacados por um enxame de abelhas muito intenso. Muitas pessoas ficaram desesperadas, algumas vindo até a apresentar sintomas de anafilaxia, e a equipe que estava presente na ambulância não se mostrou muito preparada para o tipo de intercorrência.


Sendo atendido em hospital, após o enxame da Volta da Lagoa dos Ingleses

Muitos participantes questionaram sobre a falta de preparo dessa equipe de saúde. Então, o organizador publicou uma nota explicando que, a única legislação que determina o tamanho da equipe médica de um evento é o Estatuto do Torcedor (AQUI), que diz que o organizador deve disponibilizar uma ambulância, um médico e dois enfermeiros para cada dez mil pessoas e comunicar previamente à autoridade de saúde a realização do evento.

Quando fiquei sabendo do fato, achei absurdo, pois, corredor não é torcedor. Não estamos sentados numa arquibancada gritando, estamos praticando uma atividade física intensa, e por mais preparado que um atleta esteja, imprevistos acontecem.


Estatisticamente falando, será que o atendimento médico nos eventos tem sido eficiente? Quem fiscaliza isso?
Em uma matéria postada no site Webrun em 2010, o superintendente do hospital Hospital Nove de Julho, Luiz De Luca, afirmou que apenas 8%, em média, do orçamento das provas é aplicado em infraestrutura médica para o evento.

Na mesma matéria, o médico Rodrigo Nicácio, afirma que, “Qualquer evento com mais de mil pessoas no estado do Rio de Janeiro tem de ser submetido ao Corpo de Bombeiros e ao CRM (Conselho Regional de Medicina) no que diz respeito ao número de ambulâncias, número de médicos, número de enfermeiros.”


Este mês, no Mundial de Atletismo em Moscou, a atleta Beata Naigambo, da Namíbia, passou mal e caiu no meio do pelotão com apenas 16 minutos de prova e cerca de 5km percorridos, vindo a ser atendida  por uma equipe médica no mesmo local.

Se atletas profissionais, extremamente preparados, estão sujeitos a precisarem de atendimento médico em uma prova, será que com nós, amadores, é diferente?

Além dos casos supracitados, já  presenciei ou tomei conhecimento de inúmeros outros casos de atletas precisarem de atendimento em corrida de rua. Alguns desses casos vindo a ocorrer óbito, como na Volta do Cristo, na Corrida de São Silvestre, no triathlon na Lagoa dos Ingleses, e o caso recente do atleta que faleceu durante o C. Adidas, em Curitiba. Não que a causa desses óbitos tenha sido em decorrência de mau atendimento, mas a questão é: PODEMOS CONTAR COM O ATENDIMENTO MÉDICO NAS CORRIDAS?

Por experiência própria, não tenho mais tanta confiança em atendimento cedido por organização de evento.

Confira a matéria - Papo de Esteira: Seu médico está preparado? por Vivian Dombrowski


Seria bom se autoridades ligadas ao esporte reivindicassem uma proposta para regulamentação própria nas corridas de rua, e não usar um estatuto que não tem nada a ver com a situação. 

Em vários estados já existe a lei que torna obrigatória a disponibilização de desfibriladores cardíacos em estabelecimentos, entidades e eventos onde ocorram aglomerações ou o fluxo diário de pessoas acima 1.500 indivíduo. Mesmo assim, em algumas situações essa lei vem sendo descumprida.
Os corredores também precisam reivindicar um "Mais Médicos" por parte das organizações, mesmo que profissionais estrangeiros. Afinal, entre um médico "importado" e médico nenhum, prefiro a primeira opção.

Voltando à polêmica do programa "Mais Médicos", ainda não tenho uma opinião formada, mas acho interessante dar uma vasculhada nesses dados oficiais do Banco Mundial, onde podemos fazer uma analogia entre a saúde em Cuba e no Brasil. Além de outros dados que podem ser verificados no The World Bank: Data:


Expectativa de vida
A média de anos que se espera que um recém-nascido viva se os padrões de mortalidade atuais não sofrerem mudança.

Despesas correntes com saúde (% das despesas privadas com saúde)
Despesas diretas são quaisquer gastos diretos para suprir as necessidades domésticas, incluindo gratificações e pagamentos em espécie, pagamentos a profissionais de saúde e fornecedores de produtos farmacêuticos, aparelhos e outros bens e serviços cuja principal função é contribuir para a restauração ou a melhoria do estado de saúde de indivíduos ou grupos populacionais. É uma parte das despesas particulares com saúde.

Despesas com saúde, pública (% da despesa total com saúde)
Despesas com saúde pública consistem em gastos recorrentes e de capital orçamentário do governo (central e local), empréstimos e subsídios externos (incluindo doações de agências internacionais e organizações não-governamentais) e fundos de seguro de saúde (ou obrigatórios). Despesa total com saúde é a soma das despesas com saúde dos setores público e privado. Ela abrange a prestação de serviços de saúde (preventivos e curativos), atividades de planejamento familiar, atividades de nutrição e ajuda de emergência designadas para a saúde, mas não incluem o fornecimento de água e saneamento.

Essa não é a primeira vez que a Associação Médica Brasileira investe contra a "aquisição" de médicos  cubanos no Brasil. Em 2005, o governo de Tocantins encontrava dificuldades na contratação de médicos brasileiros para municípios mais afastados, e recorreu a um convênio com Cuba que enviou seus profissionais para atenderem no estado.

Quanto ao comentário do presidente do CRM-MG, deixo a minha dica:

Código de Ética Médica - É vedado ao médico:

Art. 33 - Deixar de atender paciente que procure seus cuidados profissionais em 
casos de urgência ou emergência, quando não haja outro médico ou serviço 
médico em condições de fazê-lo.

Código Penal brasileiro 

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012)

Leia: O espírito da medicina cubana

Imagens:Google

domingo, 18 de agosto de 2013

Manual do Organizador Consciente


"Se você é do tipo de pessoa que se ofende fácil ou não sabe argumentar, melhor visitar OUTRO SITE"...

Por Daniel X.

Essa semana li uma matéria muito interessante no site O2 por Minuto, intitulada "Manual de etiqueta do corredor".
A matéria é muito boa, pois aborda vários comportamentos que às vezes temos nas corridas mas nem paramos para pensar a respeito:
Dê passagem, Não faça paredão (essa me irrita, rsss.), Na hora da sede, Lixo no lugar certo, e SENTIDO NA PELE...

Nos comentários, alguns corredores,como o amigo virtual George Poth, ainda fizeram alguns acréscimos de uma "lista interminável", como "Não custa dizer obrigado para quem está dando a água", e "corredor correr com o número de outra pessoa".

Ainda acrescento atitudes mais graves, como: Fazer inscrição usando identidade de idosos, para receber desconto de 50%  (previsto no Art. 23. da Lei 10741/03: A participação dos idosos em atividades culturais e de lazer será proporcionada mediante descontos de pelo menos 50% nos ingressos para eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer, bem como o acesso preferencial aos respectivos locais); e Usufruir da infraestrutura do evento sem estar inscrito ("pipoca")...

Agora, uma coisa que considero um grande equivoco, é o fato de tentar ficar comparando grandes provas que acontecem no exterior com as que temos aqui no Brasil. Na matéria supracitada, é feito o seguinte comentário:  (...)"Quando corri na Maratona de Roma, não tinha nada disso"(...)

Acho que o mais prudente é enxergar a nossa realidade, ao invés de ficar fazendo analogias ...

Basta ler outra matéria postada na Contra o Relógio, para ver que nossa realidade é bem diferente: "A cada dia, a organização da Maratona de Boston me surpreende. Positivamente".

Ou, Maratona de Paris tem energia gerada pelos próprios corredores; Os bastidores da Maratona de Barcelona;  Maratona de Nova York, gigante por natureza ;  A meia-maratona fria e encantadora de Praga ; Chega a ser irritante o nível de ORGANIZAÇÃO na Disney. E português é a língua oficial ; Maratona de Dubai: impecável ; Tradição, perfeição e grande público: marcas da Maratona de Tóquio ; quer mais?  Pois é...

Agora, só a título de curiosidade, entre no site Reclame Aqui, e digite o nome de algum grande evento que acontece no Brasil na aba de busca, e confira a lista de reclamações dos clientes. E sob meu ponto de vista, essas listas só não são maiores porque grande parte dos corredores não se vê como cliente, mas romanticamente apenas como atleta.

Por isso sugiro aos organizadores que passem a adotar cultura business não só na hora de cobrar do corredor, mas também de cumprir TUDO que foi anunciado no regulamento/contrato, amadurecendo essa relação entre corredor/cliente e organizador/prestador de serviços.

Fiz alguns itens de uma também "interminável lista" para serem apreciados pelos organizadores:

 Emita nota fiscal:
"A Nota Fiscal é o documento que contém informações referentes a qualquer bem disponível para venda, aluguel, e/ou prestações de serviços. Ela é o comprovante que você comprou ou alugou determinado serviço ou produto, quanto pagou, em que estabelecimento, além de ser fundamental para fazer valer os direitos estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor como, por exemplo, a garantia legal, em caso de defeito."

Hidratação:
Não pode falta em hipótese alguma. Infelizmente, já participei de eventos onde a água acabou bem antes do término da prova. AQUI e AQUI, por exemplo...
Leia sobre Desidratação por:
Dr. Drauzio Varella  
Dr. Arthur Frazão 
Dra. Tatiana Zanin   
Prof. Alexandre

Mande um e-mail de parabenização ao seu cliente no dia 15 de setembro.
Sabe que dia é esse? É o Dia do Cliente.
Acho que não é tão difícil enxergar um atleta como cliente, pois, é ele quem gira as engrenagens da sua empresa. Além do mais, quando é para enviar anúncios de eventos parece não haver nenhuma dificuldade.

"O Cliente é a única razão de ser da existência de TODOS os produtos e serviços, de TODAS as empresas, de TODAS as profissões e de TODOS os postos de trabalho DO MUNDO. É justo, pois, que esta figura seja homenageada em uma data especial."

Recolha todo lixo!
Infelizmente, parece que as organizações de algumas provas não estão se preocupando com o lixo gerado por seus eventos. Copo de água, papéis de anúncios, casca de frutas, entre outras coisas.
Sugiro aos organizadores que passem a adotar a instalação de lixeiras nos primeiros metros após os postos de hidratação. Assim oferecem mais segurança ao atleta e facilitam a limpeza da via após a prova.
Não adianta ficar colocando essa responsabilidade apenas no corredor. Se estou correndo não vou parar para jogar copinho ou sachê de suplemento no lixo.

Uma vez participei em uma corrida no bairro Santa Tereza - BH, onde, além da organização não disponibilizar NENHUMA lixeira, ainda desmontou toda estrutura da prova, foi embora, e deixou o lixo...
 

Respondam as mensagens dos seus clientes!
Mas responda com personalidade, pois, mensagens automáticas e padronizadas geram uma insatisfação maior ainda no cliente. Nos dá a impressão que o organizador nos ignora, ou não tem competência para nos responder.
10 Dicas para o bom relacionamento com clientes virtuais:
1 -  Sempre assine com seu nome; 2 - Nunca erre o nome do cliente ; 3 - Sempre responda com sentimentos;  4 - Sege gentil;  5 - Evite ao máximo as mensagens padronizadas ;  6 - Acredite no cliente: ;
7 - Responda rápido ; 8 - Nunca diga não ; 9 - Não responda achando que o cliente é burro ;
10 - Crie o maior quantidade de ajuda no seu site...

Em duas ocasiões já recebi respostas agressivas de organizadores via e-mail, por ter feito algumas considerações a respeito do evento. Resultado: nunca mais pisei nessas provas e ainda faço questão de boicotar.
Mas também já tive um bom retorno quando participei da Volta da Lagoa dos Ingleses, Run 4 Parkinson, e principalmente, do C. Athenas, realizado pela Iguana Sports.

Categorias
Sempre conte com categoria faixa etária nos eventos, e não se esqueça da categoria Portadores de Necessidades Especiais!
Mesmo que seja com uma premiação simples, como uma medalha diferenciada, o atleta se sente valorizado pela organização da qual ele é cliente.
No caso das premiações, não faça distinção, com por exemplo: feminino valer menos que masculino. Já comentei aqui no blog um fato ocorrido em MG: (AQUI)...


Assistência Médica em Corridas de Rua


Uma vez um organizador me explicou que, a única legislação que determina o tamanho da equipe médica de um evento é o Estatuto do Torcedor (AQUI), que diz que o organizador deve disponibilizar uma ambulância, um médico e dois enfermeiros para cada dez mil pessoas e comunicar previamente à autoridade de saúde a realização do evento.


Quando fiquei sabendo do fato, achei absurdo, pois, corredor não é torcedor. Não estamos sentados numa arquibancada gritando, estamos praticando uma atividade física intensa, e por mais preparado que um atleta esteja, imprevistos acontecem.
Treinadores debatem sobre a qualidade de assistência médica nas provas

Por isso defendo uma regulamentação LEGAL para esses eventos. Mas isso nunca vai acontecer. E parece que sempre ficamos sem saber quais os reais direitos e reais deveres que temos nesse esporte...  

Pois bem, mesmo que o "manual de etiqueta do organizador" não seja divulgado em revistas/sites/blogs especializados, eu o conheço.  Ele se chama LEI Nº 8.078, DE 11 DE SETEMBRO DE 1990, conhecido como também como Código de Defesa do Consumidor: AQUI!

Quanto aos atletas, o maratonista/escritor Fabio Namiuti, postou em seu blog, uma matéria que é um verdadeiro manual para o corredor consciente.
CONFIRA! Corridas melhores para corredores melhores

Imagens:Google

sábado, 17 de agosto de 2013

Carta em Defesa dos Corredores Pipoca!

Imagens:Google
"Se você é do tipo de pessoa que se ofende fácil ou não sabe argumentar, melhor visitar OUTRO SITE"...

Por Daniel X.

*Este texto não defende/incentiva o ato de usufruir de um evento sem estar inscrito.
Para saber mais minha opinião sobre "Correr de Pipoca", leia as matérias:

"Pipocas" são pessoas pobres?...
Recentemente recebi o seguinte convite de uma amiga corredora:
"Ei Daniel, tudo bem? Aqui, q tal montarmos um grupo para irmos de pipoca na volta internacional da Pampulha? Tô achando um absurdo o valor cobrado R$80,00 desde o começo. Nem teve gradação de valor este ano."
Minha resposta foi a mais sincera possível: se estão achando um absurdo, não corram. Ninguém é obrigado a ir, muito menos vai morrer se ficar sem.

Coincidentemente, na mesma semana li um comentário interessante em uma rede social:
"Os pipocas ou bandits invadiram a Meia de Sampa. Detalhe: a maioria com tênis e roupas de marca, iPhone etc. Ou seja: eram 171 mesmo..." 

Achei interessante e muito válida a observação, pois, muitas vezes esta "classe" de corredores é associada às pessoas mais humildes, que não teriam condições de ficar pagando altos valores para participar das provas. Mas segundo a observação feita acima, as elite também gostam de dar um jeitinho.

Bandidos?...

Já vi alguns formadores de opinião rotularem quem corre na via pública sem estar inscrito, como bandidos, justificando que "lá fora, eles também têm nome: bandits, bandidos mesmo".

Não seria um termo muito pesado? "Ah, mas a intenção é essa mesmo", "Ah, mas é para intimidá-los mesmo!", "ah, mas nos EUA eles são chamados assim"...

Lá nos EUA?! Você está vivendo no Brasil, Camarada!



Lá nos EUA também tem pena de morte. Os EUA contam com a maior população prisional do mundo.
22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.  Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.  Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde. Nos EUA o preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.

Vai viver nos EUA, então!

E lhe pergunto: as corridas nos "EUA" são tão desorganizadas quanto algumas que temos por aqui? Nunca participei de nenhum evento fora do Brasil, mas pelo que ouço de muitos atletas, correr nos EUA é o sonho de consumo de muito corredor brasileiro. Será que é porque são desorganizadas? Acho que não...

A definição de "bandido" no Aurélio é: s.m. Indivíduo que vive de assaltos a mão armada; salteador, malfeitor.
Ao chamar alguém de bandido você pode estar fazendo uma acusação. Então, cuidado para o feitiço não virar contra o feiticeiro.

Além do mais, não seria mais fácil (ou melhor) montar uma estrutura que permite um melhor controle de hidratação e medalhas, ao invés de criar mais um estereótipo, em um país onde o preconceito ainda impera?
Posso dizer que, a maioria dos eventos que já participei, permitia que qualquer pessoa que estivesse passando pelo local viesse a  usufruir de hidratação e outros itens que faziam parte da infraestrutura do evento.

Direito de Imagem
Outra questão que tenho notado é o fato de ficar tirando fotos de supostos "pipocas" nas corridas, e ficar expondo em redes sociais. Não podemos esquecer do direito à imagem. Você pode estar cometendo um crime, às vezes maior do que a própria pessoa que, estaria fazendo uma coisa que é errada na SUA opinião (o fato de transitar em via pública em dia de evento). Além do fato de que, um crime não justifica outro.

E como foi muito bem dito por um importante blogueiro do mundo das corridas: "No geral a falta de número de peito não indica que seja pipoca (muitos não usam para não serem identificados por sites de fotos)".
Aí alguém posta a foto do cara em rede social, denigre a imagem do mesmo, depois responde por danos morais. Simples, né!

Pacer é "pipoca"?
Agora mais essa.  Já notei indícios de que aquela pessoa não inscrita em uma corrida, mas que acompanha o tempo todo outro atleta, monitorando o ritmo, incentivando, fornecendo água/ repositores, durante o percurso, agora está passando a ser taxado como "pipoca".

Na Maratona do Rio 2013, minha amiga, Valeria Spakauskas,  fez o seguinte relato, se referindo ao seu treinador:
"Chegando aos 26 tenho a visão mais bacana da prova toda, meu treinador,Gustavo, um cara prá lá de especial, estava ali, esperando a gente chegar! Estava em casa! E fomos juntos, os três, às vezes cinco ou dez, pois o Gustavo puxava todo mundo!!!"
Inclusive, quando o treinador Gustavo passou por mim, perguntou se eu estava me sentindo bem, me ofereceu água, e até se disponibilizou a me emprestar dinheiro, uma vez que eu estava mancando e longe da linha de chegada.
Então, agora vamos taxar esse grande incentivador como "pipoca"?...

Circuito Lótus 2011: minha esposa, Roseli (que não gostava de correr), só participou porque me disponibilizei a acompanhá-la durante o percurso, sem usufruir de nada da prova.  Hoje ela já corre meia maratona.  Então, o que sou por incentivá-la?  Um "bandido"?  Que crime cometi naquele dia?  Prenda-me se for capaz...

 "O direito individual não se sobrepõe ao coletivo"
Ninguém pode retirar seu direito de ir e vir. E não tem essa de "o direito individual de ir e vir não se sobrepõe ao direito do coletivo", pois, a constituição federal já representa a maior coletividade de um país. Se fosse assim não haveria o direito de greve, por exemplo.
Essa de Direito Coletivo Vs. Direito Individual para impedir o direito de transitar no espaço da prova é pura balela etilista.
Dica de filme? "Os Donos da Rua" e "Os Reis da Rua"...

Pipoca queimada

Por outro lado, muita gente que corre sem estar inscrito, usa hidratação, sai na frente, e usufrui da infraestrutura do evento, e mesmo que você só esteja passando por ali, fazendo seu treino, consequentemente você vai ser associado a essas pessoas. A atitude de alguns acaba queimando o filme de todos...

Por isso, hoje em dia, acredito que se você for treinar, o melhor mesmo é passar longe de eventos. Não que você não tenha direito de usar a rua.  Mas é melhor manter distância das "vias privatizadas"...


Como foi muito bem dito pelo corredor/fotógrafo Marcos Viana Pinguim:
" Creio que as pessoas que gostam de correr nos fins de semana (mas que não querem competir) podem e devem se reunir para fazer treinos nas ruas bem distantes de onde estão ocorrendo corridas, este é um conselho para as pessoas que não querem gastar dinheiro em corridas e para que elas não paguem mico de "Pipocas" nas corridas. É minha sugestão!!!"

O Problema não é só o "pipoca", mas a desorganização!...
Na maratona do Rio 2013, a falta de respeito de algumas pessoas, como passar de bicicleta rente aos atletas, foi colocada em meu vídeo. Mas na câmera, tenho o equivalente a um longa metragem, só de falta de educação.
Faltou controle dos realizadores da prova  no requisito segurança, pois a organização tem parcerias, apoio governamentais, etc., e é responsável pelo percurso.
Quando participei da Meia de SP 2012,  pensei que ia ser uma bagunça devido ao trânsito da cidade e de ser bem no centro. Mas não foi. Organizadores devem ter parcerias também com guardas municipais, PM, etc. Digo isso porque já participei de muita corrida que contou tais parcerias. E organização da Maratona do Rio não é fraca.

Sei que a orla é fechada para o lazer, mas sempre ouvimos por aí: "a organização paga alvará mais isso e aquilo para realização do evento", "se fosse em um show você não entrava"... frases usadas para reprimir os "pipocas", mas que são incoerentes, pois, quando é para ser usada por papas, políticos, casamentos de netas, e shows de pop stars da música brega, ninguém nem ao menos ousa questionar. Sei que que são situações (e poderes diferentes), e que, se falarmos muito, ainda ficamos sem.

Mas parece que a preocupação de alguns organizadores com relação aos "pipocas", é simplesmente referente aos gastos que eles podem vir a trazer à organização, e não com o conforto/segurança dos clientes.

Quando argumentamos sobre o direito de ir e vir referente a um "pipoca" que transita (mas não usufrui) no local do evento, ele é contestado. Mas quando é para assegurar a integridade física dos atletas, aí os defensores invertem o quadro: são os ciclistas e afins que tem o direito de ir e vir.

Muita incoerência, e muita conveniência também.

A melhor matéria que já ouvi sobre o tema: o atleta/empresário/escritor Weimar Peittengill expressa sua opinião a repeito de “Correr na Pipoca”, citando também uma questão interessante a respeito dos ciclistas. Ouça AQUI!
Outras matérias a respeito: